Malas perdidas e filas na imigração geram confusão no aeroporto de Lisboa

Relatos de brasileiras apontam longas filas na imigração de Lisboa, ausência de prioridade para idosos, poucos guichês em funcionamento e extravio de bagagens, em meio a falhas no sistema de controle de fronteiras.

As filas na imigração de Lisboa voltaram a gerar indignação entre passageiros que desembarcaram no Aeroporto Humberto Delgado nos últimos dias. 

Brasileiras que chegaram à capital portuguesa relataram esperas superiores a cinco horas, ausência de prioridade para idosos, poucos guichês em funcionamento e até extravio de bagagens, num cenário descrito como caótico.

A situação ocorreu nos dias 15 e 16 de dezembro, período de aumento do fluxo de passageiros devido às festas de fim de ano.

Segundo relatos enviados ao portal DN Brasil, em alguns momentos apenas dois ou três postos de atendimento estavam abertos para um salão lotado.

Espera de mais de cinco horas

A mãe do imigrante brasileiro Bruno Carvalho chegou a Lisboa na manhã da última segunda-feira (15) para visitar o filho e comemorar o aniversário de 59 anos. 

Contudo, a expectativa de aproveitar o dia na cidade foi frustrada por uma longa espera na imigração.

“Ela ficou mais de cinco horas em pé na fila. Só saiu no fim da tarde”, contou Bruno. Durante o tempo de espera, mãe e filho se comunicaram por mensagens. “Ela dizia que só tinha dois guichês funcionando para um salão cheio. Pessoas dividindo água na tampa de mamadeira, idosos deitados no chão, crianças cansadas”, relatou.

Do lado de fora, familiares e amigos também aguardavam ansiosos. “Quando ela finalmente saiu, foi mais alívio do que comemoração. A gente acabou se confortando com outras famílias que estavam passando pela mesma situação”, disse.

Ao atravessar a porta de desembarque, a aniversariante foi recebida com palmas e um improvisado “parabéns pra você” entoado por quem aguardava no saguão. “Foi muito bonito, apesar de tudo”, resumiu o filho.

Falta de prioridade para idosos causa revolta

Outro caso envolve a sogra da brasileira identificada como L.B.A., de 75 anos. A idosa chegou ao aeroporto às 14h40 e só conseguiu passar pela imigração às 19h18. “Um verdadeiro absurdo. Até os próprios policiais pareciam constrangidos quando perguntavam a que horas o voo tinha chegado”, relatou a nora.

Segundo ela, a entrevista no guichê durou apenas dois minutos. A maior parte do tempo foi gasta na fila. Ao questionar a ausência de prioridade para pessoas com mais de 65 anos, a idosa recebeu uma resposta que gerou indignação. 

“Disseram que, em Portugal, a prioridade é diferente do Brasil e que só teria prioridade com atestado médico”, contou.

A brasileira afirmou ainda que, em visitas anteriores, nunca enfrentou uma espera superior a duas horas.

Sete horas e meia de fila e mala extraviada

Na última terça-feira (16), a situação voltou a se repetir. A brasileira Giovana Lopes contou que a mãe permaneceu sete horas e meia na fila da imigração. “Só tinha três pessoas nas cabines”, disse.

Além da demora, a passageira teve a bagagem extraviada. A mala só foi recuperada horas depois, já fora do aeroporto. “Depois de tudo isso, pelo menos conseguimos ficar juntas para o Natal e o Ano Novo”, relatou Giovana.

Polícia diz atuar “na capacidade máxima”

Questionada pelo portal DN Brasil sobre o número reduzido de agentes nos guichês, a Polícia de Segurança Pública não respondeu diretamente. Em declarações à imprensa, a PSP afirmou está trabalhando “na capacidade máxima”.

A corporação atribuiu as demoras a uma “dificuldade técnica no sistema de controle de fronteiras”, esclarecendo que o problema não estaria relacionado com a falta de efetivos.

Governo admite falhas no novo sistema

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, reconheceu no Parlamento que a situação se agravou nos últimos dias e admitiu que a entrada em vigor das novas regras de controlo fronteiriço “correu muito mal”.

O novo sistema começou a operar em 12 de outubro e, desde então, tem registrado falhas recorrentes. 

A situação foi considerada suficientemente grave para levar a Comissão Europeia a enviar, nesta semana, uma equipa de especialistas para uma inspeção no aeroporto de Lisboa.

Segundo esclarecimento do Sistema de Segurança Interna, estão sendo avaliados os sistemas informáticos de larga escala do espaço Schengen, como o Sistema de Informação Schengen (SIS) e o Sirene, além dos procedimentos de fronteira, recursos humanos, formação e análise de risco.

Impacto para passageiros e imagem do país

As longas filas têm afetado turistas, residentes e visitantes ocasionais, gerando desgaste físico e emocional, sobretudo entre idosos e famílias com crianças. 

Para especialistas, o problema ultrapassa o desconforto individual e impacta diretamente a imagem de Portugal como destino turístico e de investimento.

Enquanto o Governo tenta gerir a crise com forças-tarefa e ajustes técnicos, passageiros continuam a relatar experiências marcadas por horas de espera, falta de informação e sensação de desorganização no principal aeroporto do país.

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