Os preços da habitação em Portugal mantiveram uma trajetória de forte alta no terceiro trimestre do ano.
De acordo com dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o Índice de Preços da Habitação (IPHab) subiu 17,7% entre julho e setembro, acelerando 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
Segundo o instituto, o aumento foi puxado principalmente pelas habitações existentes, que registaram uma valorização de 19,1%, enquanto os preços das habitações novas subiram 14,1% no mesmo período.
Alta continua no curto prazo
Na comparação trimestral, ou seja, em relação aos três meses anteriores, o IPHab avançou 4,1%, embora abaixo do crescimento de 4,7% registado no segundo trimestre. As casas usadas tiveram um aumento de 4,5%, enquanto as novas registaram uma variação de 2,9%.
Apesar da desaceleração no ritmo trimestral, os números confirmam que o mercado imobiliário português continua sob forte pressão de preços, sobretudo no segmento de imóveis já existentes.
Volume de transações ultrapassa 10 bilhões de euros
Entre julho e setembro, foram transacionadas 42.481 habitações, movimentando cerca de 10,5 bilhões de euros. Em relação ao trimestre anterior, houve uma desaceleração tanto no número de negócios (queda de 15,5%) quanto no valor transacionado (redução de 30,4%).
Ainda assim, na comparação com o mesmo período do ano passado, o valor total das transações foi 16% superior, indicando que o mercado continua aquecido em termos anuais.
Casas usadas dominam o mercado
As habitações existentes representaram 80,5% do total das transações no terceiro trimestre, com 34.208 unidades vendidas. Esse volume corresponde a um crescimento homólogo de 5,9% face ao mesmo período de 2024.
Já as 8.273 habitações novas comercializadas no período registaram uma queda homóloga de 3,8%, sinalizando menor oferta ou maior dificuldade de acesso a imóveis recém-construídos.
Em termos financeiros, o valor das transações de casas usadas atingiu cerca de 7,8 bilhões de euros, uma subida de 21,1% em relação ao ano anterior. No caso das habitações novas, o montante chegou a 2,7 bilhões de euros, com um crescimento mais moderado, de 3,3%.
Famílias lideram as compras
As famílias foram, de longe, as principais compradoras de imóveis em Portugal no terceiro trimestre, respondendo por 88,3% das transações. Ao todo, 37.507 habitações adquiridas por famílias movimentaram cerca de 9,2 bilhões de euros.
Em termos homólogos, as aquisições feitas por famílias cresceram 5,8% em número e 18,8% em valor, reforçando o peso do consumo interno no dinamismo do mercado imobiliário.
Pressão sobre acesso à habitação
Os dados do INE reforçam as preocupações já existentes quanto ao acesso à habitação em Portugal, especialmente para jovens, imigrantes e famílias de renda média.
A forte valorização das casas usadas, combinada com a redução relativa da oferta de imóveis novos, tem contribuído para o aumento dos preços tanto na compra quanto no arrendamento.
Especialistas apontam que fatores como escassez de oferta, procura externa, crescimento populacional nas grandes cidades e custos elevados de construção continuam a pressionar o mercado, mantendo os preços em níveis historicamente altos.