A tradição de soltar fogos de artifício nas festas de fim de ano e em eventos populares está sendo repensada em várias cidades da Europa. Movimentos recentes de prefeituras e autoridades locais têm levado à implementação de restrições e proibições no uso de fogos de artifício com estampido, com o objetivo de reduzir riscos à população, minimizar transtornos para animais e aumentar a segurança em áreas urbanas.
Mudanças nos regulamentos italianos
Na Itália, diversas prefeituras adotaram medidas para restringir ou proibir o uso de fogos de artifício durante períodos específicos, especialmente na véspera de Ano Novo. Em cidades como Treviso, no norte do país, o uso de fogos, foguetes e bombinhas foi vetado por vários dias nas celebrações de fim de ano para diminuir riscos à saúde pública e aos moradores mais vulneráveis. Autoridades destacaram que o barulho intenso pode representar perigo para crianças, idosos e pessoas com condições de saúde delicadas, além de causar estresse significativo em animais domésticos e silvestres.
Em Nápoles, no sul da Itália, a prefeitura também decretou proibição do uso e da posse de fogos de artifício em áreas públicas durante a noite de Réveillon, como parte de um pacote de medidas que inclui limitações de circulação e restrições a determinados tipos de produtos para garantir a ordem e a segurança durante as festividades.
Além de restrições pontuais de Ano Novo, outras cidades italianas têm adotado abordagens inovadoras como a exigência de fogos silenciosos ou com som reduzido em celebrações públicas, uma iniciativa que surgiu em comunidades menores como forma de conciliar festividades com o bem-estar animal.
Tendência europeia de bem-estar e segurança
Não são apenas municípios italianos que estão seguindo esse caminho. Em várias partes da Europa, cresce a preocupação com o impacto dos fogos de artifício:
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Cidades e vilarejos na Espanha estabeleceram proibições ou limitações durante festas de fim de ano para reduzir o estresse em animais domésticos, proteger residentes sensíveis ao som e diminuir riscos à segurança pública.
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Em Polônia, autoridades em grandes centros urbanos têm discutido a proibição de fogos de artifício a partir de determinados anos, como forma de manter ambientes mais seguros e menos perturbadores para pessoas idosas e animais.
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Na Escócia, grupos de proteção animal têm pressionado por proibições mais amplas devido ao estresse severo que os fogos causam em pets e na fauna urbana.
Esses exemplos refletem uma tendência mais ampla de reavaliar práticas tradicionais à luz de preocupações modernas, incluindo bem-estar animal, saúde pública e segurança urbana.
Por que as mudanças estão acontecendo?
Autoridades que promovem essas restrições citam diversos motivos:
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Proteção de grupos vulneráveis: Pessoas com sensibilidade auditiva, crianças pequenas, idosos e pessoas com condições médicas podem sofrer com os ruídos intensos e imprevisíveis dos fogos.
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Bem-estar animal: O som alto pode causar pânico em animais domésticos e selvagens, levando a fugas, ferimentos ou estresse prolongado.
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Segurança pública: O uso descontrolado de fogos de artifício em áreas densamente povoadas aumenta o risco de acidentes, incêndios e ferimentos.
Alternativas às celebrações tradicionais
Com a preocupação crescente, muitas cidades têm incentivado soluções alternativas para celebrar datas especiais sem o uso de fogos barulhentos. Entre as opções estão:
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Exibições de luzes e shows com drones, que oferecem espetáculo visual sem os impactos sonoros.
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Apresentações musicais e eventos culturais em praças públicas, criando um ambiente festivo acessível para todos os públicos.
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Fogos “silenciosos” ou com som reduzido, que ainda preservam o efeito visual, mas diminuem o estresse provocado pelo barulho.
Essas alternativas buscam manter o espírito das celebrações ao mesmo tempo em que respeitam a saúde, a segurança e o bem-estar de toda a comunidade.
Uma virada de ano mais tranquila?
O debate sobre a utilização de fogos de artifício nas festas populares ganha cada vez mais espaço na Europa. O equilíbrio entre tradição e responsabilidade social está no centro dessa discussão, e as mudanças já implementadas em cidades italianas e de outros países podem inspirar novas práticas que tornem as celebrações mais inclusivas e seguras para todos.
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