Como trabalhar na Itália: vistos, cidadania, profissões em alta e regras atualizadas

Entender como trabalhar na Itália exige atenção às regras de vistos, à nova legislação de cidadania e às áreas com maior demanda por mão de obra. O país enfrenta um momento de envelhecimento populacional e escassez de trabalhadores, abrindo oportunidades para estrangeiros, inclusive brasileiros.

Saber como trabalhar na Itália é uma das principais dúvidas de brasileiros que desejam viver legalmente na Europa. 

O país enfrenta uma combinação de envelhecimento populacional, baixa natalidade e falta de trabalhadores, o que tem levado o governo italiano a rever suas políticas migratórias e a criar novas oportunidades para estrangeiros.

Apesar disso, trabalhar legalmente na Itália continua a exigir muito planejamento, informação correta e atenção às mudanças recentes na legislação, especialmente após as alterações nas regras de cidadania italiana e imigração aprovadas nos últimos meses.

Itália precisa de trabalhadores estrangeiros

Isso é um fato: a Itália é hoje um dos países mais velhos da Europa. 

Relatórios oficiais indicam que o país tem registrado mais mortes do que nascimentos há vários anos, o que afeta diretamente o mercado de trabalho, o sistema de pensões e os serviços públicos.

Para enfrentar esse cenário, o governo italiano tem autorizado a entrada de centenas de milhares de trabalhadores estrangeiros por meio de decretos de fluxo migratório (Decreto Flussi), que definem quotas anuais para cidadãos de países fora da União Europeia.

Ainda assim, essas vagas nem sempre são suficientes para suprir a procura, o que faz com que setores como agricultura, turismo, construção civil, saúde e tecnologia dependam cada vez mais da mão de obra estrangeira.

Como trabalhar na Itália legalmente: principais formas

Existem diferentes caminhos para quem quer saber como trabalhar na Itália de forma regular. A escolha depende do perfil profissional, da nacionalidade e da existência ou não de cidadania europeia.

Trabalhar na Itália com cidadania italiana

Quem possui cidadania italiana ou de outro país da União Europeia tem o caminho mais simples. 

Esses cidadãos não precisam de visto de trabalho e podem viver, trabalhar e estudar livremente na Itália.

No entanto, após mudanças recentes na legislação italiana, o reconhecimento da cidadania italiana por descendência (iure sanguinis) ficou mais restrito, limitando o direito principalmente a filhos e netos de italianos nascidos na Itália. 

Claramente muitos brasileiros se sentiram lesados pois antes viam a cidadania como principal porta de entrada para o país.

Felizmente essas novas medidas não atrapalham quem já possui cidadania reconhecida, pois estes continuam tendo acesso facilitado ao mercado de trabalho italiano.

Visto de trabalho subordinado (emprego com contrato)

Para quem não tem cidadania europeia, o visto de trabalho subordinado é uma das opções mais comuns. Para você solicitar este visto, vai precisar de:

  • Uma proposta formal de trabalho de uma empresa italiana;
  • Que a vaga esteja dentro das quotas anuais do Decreto Flussi;
  • Autorização prévia do governo italiano antes da entrada no país.

Esse processo costuma ser burocrático e competitivo, pois depende das quotas disponíveis e do interesse do empregador em contratar um trabalhador estrangeiro.

Visto de trabalho autônomo (freelancer ou empreendedor)

Outra possibilidade para quem pesquisa como trabalhar na Itália é o visto de trabalho autônomo, voltado para profissionais independentes, empreendedores e prestadores de serviços.

Esse visto exige:

  • Plano de negócios ou comprovação de atividade profissional;
  • Renda mínima suficiente para se manter no país;
  • Inscrição em ordens profissionais, quando aplicável;
  • Demonstração de que a atividade é relevante economicamente.

Embora seja uma alternativa interessante, ele é um dos vistos mais difíceis de se obter, devido às exigências financeiras e outros trâmites burocráticos.

Visto de procura de trabalho

A Itália também oferece, em alguns casos, o visto para procura de trabalho, geralmente ligado à formação acadêmica obtida no país ou a programas específicos.

Esse visto permite que o estrangeiro permaneça legalmente na Itália por um período limitado enquanto procura emprego. Caso consiga um contrato, pode converter o visto em autorização de residência para trabalho.

Profissões em alta na Itália

Entender como trabalhar na Itália passa também por conhecer os setores que mais precisam de trabalhadores. Entre as áreas com maior procura estão:

  • Agricultura: colheitas sazonais, viticultura, produção de frutas e hortaliças;
  • Turismo e hotelaria: hotéis, restaurantes, bares e serviços turísticos;
  • Construção civil: pedreiros, eletricistas, canalizadores e técnicos especializados;
  • Saúde: médicos, enfermeiros, cuidadores de idosos e auxiliares de saúde;
  • Tecnologia: programadores, analistas de dados, especialistas em inteligência artificial;
  • Logística e transportes: motoristas, operadores de armazém e entregadores.

Em muitos desses setores, a falta de mão de obra local tem levado empresas a aceitar trabalhadores estrangeiros, inclusive com pouca fluência em italiano no início, especialmente em trabalhos operacionais.

É possível trabalhar na Itália sem falar italiano?

Embora seja tecnicamente possível começar a trabalhar na Itália sem dominar o idioma, o italiano é fundamental para melhores oportunidades, salários mais altos e integração social.

Em áreas mais qualificadas, como saúde e tecnologia, o domínio do idioma é quase sempre exigido, além do reconhecimento de diplomas e certificações profissionais.

Reconhecimento de diplomas e qualificações

Um dos maiores desafios para brasileiros que querem saber como trabalhar na Itália é o reconhecimento de diplomas obtidos no exterior.

Profissões regulamentadas, como medicina, enfermagem, engenharia e direito, exigem que os documentos passem por tradução juramentada, apostila de Haia, avaliação por universidades ou ordens profissionais italianas e, em alguns casos, provas ou estágios complementares.

Esse processo pode ser demorado, mas é essencial para exercer legalmente a profissão.

Nova lei de cidadania e impacto no mercado de trabalho

As mudanças recentes na legislação de cidadania italiana tiveram impacto direto nos planos de muitos estrangeiros. 

Com regras mais restritivas para o reconhecimento da cidadania por descendência, o governo sinalizou que pretende separar a política migratória da política de cidadania.

De forma geral, isso significa que trabalhar na Itália será cada vez mais ligado a vistos de trabalho e necessidades reais do mercado, e não apenas à herança familiar.

Ao mesmo tempo, o governo italiano tem aumentado o número de vistos de trabalho disponíveis, reconhecendo que o país precisa de imigrantes para manter sua economia ativa.

Salários e custo de vida

Os salários na Itália variam bastante conforme a região e o setor. Em média, os salários líquidos mensais variam entre 1.200 e 1.800 euros em empregos não qualificados, enquanto profissionais qualificados podem ganhar entre 2.000 e 3.500 euros ou mais.

O custo de vida é mais alto no norte e em grandes cidades como Milão e Roma, mas as regiões do sul têm custo de vida menor, e consequentemente menos oportunidades de trabalho.

Avaliar bem a relação entre salário e custo de vida é de extrema importância antes de aceitar uma proposta.

Dicas para quem quer trabalhar na Itália

Para aumentar as chances de sucesso, nós recomendamos que você pesquise por vagas antes de viajar, aprenda o básico do italiano (muito mais que ciao e buona sera), valide diplomas e certificados, tenha reservas financeiras, desconfie de promessas fáceis de emprego (já assistiu a novela Salve Jorge?) e, claro, consulte sempre fontes oficiais e consulados.

Itália continua sendo uma opção viável?

Apesar da burocracia e das mudanças legais, a resposta é sim. Para quem se prepara, entende as regras e escolhe o caminho correto, trabalhar na Itália continua sendo uma oportunidade real de crescimento profissional e qualidade de vida.

A combinação de necessidade de trabalhadores, envelhecimento populacional e abertura controlada à imigração indica que a Itália continuará a depender de estrangeiros para manter sua economia funcionando. Então… prepare as malas!

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