Piores trânsitos do mundo: por que Roma e Milão estão entre os mais congestionados da Europa

Cidades como Nova York e Londres lideram rankings globais de congestionamento, enquanto Roma e Milão figuram entre os piores trânsitos da Europa devido a fatores históricos, alto uso do carro e pressão urbana.

O trânsito congestionado deixou de ser um problema apenas de grandes metrópoles e se tornou um dos desafios urbanos mais comentados em todo o mundo. Levantamentos internacionais mostram que, em muitas cidades, quem dirige gasta dezenas de horas por ano parado em engarrafamentos, tempo que poderia ser usado em outras atividades, e que tem impacto direto na produtividade, na saúde e no meio ambiente.

No ranking global: quem sofre mais no trânsito

Dados de estudos globais de tráfego colocam várias cidades grandes em posições de destaque quando o assunto é congestionamento:

  • Nova York (Estados Unidos) é frequentemente apontada como a cidade com maior congestionamento do mundo, com motoristas perdendo mais de 100 horas por ano presas no tráfego devido ao grande volume de veículos, cruzamentos complexos e intensa atividade econômica.

  • Londres (Reino Unido) também figura no topo das listas de congestionamento global, com mais de 90 horas a cada ano, resultado da densa população, grande uso de carros e atividades comerciais concentradas.

  • Outras cidades como Paris (França), Cidade do México (México) e Toronto (Canadá) também aparecem entre as mais congestionadas globalmente, levando motoristas a enfrentar longos atrasos em deslocamentos cotidianos.

O padrão global mostra que trânsitos severos não são exclusivos de um país ou continente: em muitas capitais e centros urbanos do mundo, a combinação de grandes populações, infraestrutura limitada e dependência do transporte individual produz engarrafamentos crônicos.

Na Europa: Roma e Milão estão entre os mais lentos

No contexto europeu, rankings atualizados indicam que várias cidades enfrentam congestionamentos acentuados, com motoristas perdendo dezenas de horas por ano no trânsito:

  • Roma (Itália) aparece entre as capitais mais afetadas, com motoristas perdendo mais de 70 horas por ano em engarrafamentos.

  • Milão (Itália), um dos principais polos econômicos e industriais do país, também está entre as cidades europeias com maiores atrasos, com mais de 60 horas anuais em trânsito pesado.

  • Outras cidades europeias, como Dublin, Paris e Bruxelas, tendem a registrar números ainda maiores em congestionamento, mas o fato de Roma e Milão figurarem consistentemente nas posições mais altas mostra a gravidade do problema no norte e centro da Itália.

Por que o trânsito é tão ruim em Roma e Milão?

Essas duas cidades italianas enfrentam desafios comuns que contribuem para o congestionamento:

1. Estrutura urbana antiga e ruas estreitas
Grandes cidades históricas, especialmente Roma, cresceram ao longo de séculos, com ruas estreitas e infraestrutura originalmente pensada para pedestres e carruagens, não para o tráfego intenso de automóveis moderno. Essa herança urbana limita a capacidade viária e reduz opções de rotas alternativas eficientes.

2. Elevado uso do carro e motorização intensa
A Itália possui um dos maiores índices de automóveis por habitante na União Europeia, e tanto Roma quanto Milão têm alta dependência de carros particulares nas deslocações diárias. Quando grande parte da população depende do automóvel, mesmo em áreas onde há transporte público, isso aumenta naturalmente os riscos de congestionamentos diários.

3. Crescimento urbano e atividades económicas concentradas
Milão, como maior centro financeiro e sede de muitas grandes empresas italianas, concentra trajetos pendulares entre subúrbios e o centro, gerando picos de tráfego nos períodos de rush hour. Em Roma, além do tráfego local, há grande presença de turistas e veículos de transporte de cargas, o que acrescenta pressão sobre as vias principais.

4. Transporte público ainda em consolidação
Apesar de ambas as cidades terem redes de transporte público, essas redes nem sempre cobrem eficientemente todas as áreas urbanas ou dissuadem completamente o uso de carros. Nas áreas suburbanas e periurbanas, muitos moradores ainda dependem de veículos particulares, agravando os congestionamentos nas horas de maior fluxo.

Consequências do trânsito pesado

Os impactos da forte congestionamento vão além de um simples atraso no deslocamento:

  • Tempo desperdiçado em engarrafamentos traz menos horas produtivas e mais estresse para motoristas.

  • Custos econômicos aumentam com combustível gasto e perda de eficiência logística.

  • Poluição do ar e ruídos se intensificam em áreas urbanas com tráfego pesado constante, afetando a qualidade de vida.

  • Saúde mental e física dos moradores pode ser prejudicada por longos períodos de tempo atrás do volante e exposições contínuas a emissões poluentes.

Combater o trânsito pesado exige políticas públicas que vão além de ampliar vias: investimento em sistemas de transporte público eficientes, incentivo ao uso de bicicletas e caminhadas, integração digital de tráfego e estímulo a horários flexíveis no trabalho são estratégias que várias cidades estudam ou já implementam.

O caso de Roma e Milão mostra que crescimento urbano e tradição histórica podem se chocar com as demandas modernas de mobilidade, e que buscar soluções criativas e sustentáveis é essencial para melhorar a experiência diária de milhões de motoristas e moradores urbanos.

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