Conselheiro de Belluno ataca ítalo-brasileiros e cita fascismo

Um conselheiro municipal de Belluno, no norte da Itália, causou polêmica ao criticar o reconhecimento da cidadania italiana por descendência e associar o direito de sangue a uma “história fascista”. As declarações repercutiram negativamente entre ítalo-brasileiros e reacenderam o debate sobre cidadania, imigração e identidade nacional.

O conselheiro municipal de Belluno, na região do Vêneto, Marco Perale, da lista cívica “Insieme per Belluno”, provocou forte reação ao criticar publicamente a atual legislação italiana de reconhecimento de cidadania por descendência e mencionar a “história fascista do sangue” em referência ao debate sobre os direitos de ítalo-brasileiros.

Em declarações ao jornal Il Gazzettino, Perale classificou as regras atuais para o registro do reconhecimento da cidadania italiana como uma “armadilha” que sobrecarrega as administrações municipais, especialmente em localidades com grande número de pedidos vindos do exterior.

Debate sobre cidadania italiana e acúmulo de pedidos

Perale, que já foi secretário de serviços demográficos e integrou o Partido Democrático, argumentou que a combinação da chamada Lei Tremaglia (459/2001) com o princípio do ius sanguinis (direito de sangue) gerou um volume de demandas que os municípios não conseguem processar. Segundo ele, isso tem prejudicado a prestação de serviços essenciais para residentes locais.

A Lei Tremaglia, estabelecida no início dos anos 2000, organizou direitos políticos e administrativos para italianos residentes no exterior e criou sistemas de registro específicos para essas comunidades que, na visão de Perale, culminou em um grande acúmulo de processos de cidadania trazidos principalmente do Brasil e da Argentina.

“História fascista do sangue”: a crítica que ecoa

O que mais repercutiu na fala do conselheiro foi sua afirmação de que o sistema atual se baseia em uma “história fascista do sangue”, expressão que remete criticamente à ideia de que o conceito de cidadania italiana por ascendência estaria enraizado em tradições históricas e excludentes.

Ao usar o termo, Perale buscou chamar atenção para o que considera um efeito perverso da legislação, que facilitaria a obtenção de passaportes por descendentes que nunca viveram na Itália, enquanto dificultaria a integração de estrangeiros que já estão no país e contribuem economicamente.

Reações e impacto entre a comunidade ítalo-brasileira

As declarações geraram debate entre associações de imigrantes e grupos de descendentes italianos, muitos dos quais veem a cidadania por sangue como um direito histórico e cultural importante, não uma “carga” para os municípios italianos. Especialistas e representantes da comunidade pedem um diálogo equilibrado que considere tanto as demandas administrativas quanto as conexões culturais entre a Itália e suas diásporas, especialmente na América do Sul.

O episódio acontece em meio a um cenário mais amplo de discussões sobre cidadania italiana, imigração e identidade nacional, temas que têm ganhado destaque nos últimos meses em meios políticos e na imprensa italiana. O debate inclui desde reformas possíveis nas regras de reconhecimento de cidadania até questionamentos sobre a maneira como a Itália reconhece e se relaciona com suas comunidades históricas no exterior.

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