Na pequena e quase esquecida aldeia de Pagliara dei Marsi, no coração da região de Abruzzo, o silêncio que dominava as ruas há décadas foi interrompido por um choro especial, e muito comemorado. Em março de 2025, nasceu Lara Bussi Trabucco, a primeira criança a vir ao mundo na vila em quase 30 anos.
Com cerca de 20 habitantes, a maioria idosos, Pagliara dei Marsi não via um nascimento desde os anos 1990. Por isso, a chegada de Lara foi recebida como um verdadeiro acontecimento histórico, daqueles que todo mundo lembra exatamente onde estava quando aconteceu.
A bebê que virou “filha da aldeia”
Desde que chegou em casa, Lara passou a ser tratada como patrimônio coletivo. Vizinho aparece com presente, outro leva comida, há quem passe só para “dar uma espiadinha”. O carrinho da bebê virou atração nas ruas quase vazias, devolvendo movimento, risadas e encontros que haviam se tornado raros.
“Ela é como se fosse filha de todos nós”, comentam moradores, orgulhosos. O nascimento mudou a rotina local e trouxe um novo motivo para sair de casa, algo simples, mas poderoso em um vilarejo ameaçado pelo tempo e pelo êxodo.
Batismo virou evento histórico
A repercussão foi tanta que a história ganhou espaço na imprensa nacional. O batismo de Lara reuniu todos os moradores da vila, sem exceção. Um evento raro, mas simbólico: em vez de despedidas, a aldeia celebrou um começo.
Mais do que uma criança, Lara se tornou símbolo de esperança em um país que enfrenta um grave declínio demográfico.
Um sopro de vida em meio à crise populacional
Em 2024, a Itália registrou cerca de 369.944 nascimentos, com uma taxa de fertilidade de apenas 1,18 filho por mulher, uma das mais baixas da União Europeia. Enquanto grandes cidades discutem políticas públicas para incentivar nascimentos, pequenas vilas como Pagliara dei Marsi resistem como podem e celebram cada novo berço como vitória coletiva.
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