Enquanto o Carnaval brasileiro se prepara para tomar as ruas com samba e multidões, poucos sabem que a origem dessa festa tão popular passa diretamente pela Itália. Este ano, o país europeu volta a ser palco de celebrações que misturam séculos de história, religiosidade, arte e costumes populares, reafirmando seu papel fundamental na construção do Carnaval como o conhecemos hoje.
O Carnaval italiano acontece oficialmente nas semanas que antecedem a Quaresma, período do calendário cristão marcado por jejum e reflexão. O auge da festa ocorre até o Martedì Grasso (Terça-feira Gorda), no dia 17 de fevereiro, data que simboliza o último dia de excessos antes do início da Quaresma.
Uma festa que nasce da tradição religiosa
A palavra “Carnaval” tem origem no latim carne levare, expressão que significa “retirar a carne”. A ideia está ligada ao costume cristão de evitar alimentos considerados mais ricos durante a Quaresma. Antes desse período de abstinência, a população celebrava com festas, banquetes e eventos públicos.
Na Itália medieval, esse costume ganhou força e organização. Cidades passaram a promover celebrações coletivas, com música, danças, desfiles e personagens simbólicos. O Carnaval tornou-se, então, um espaço de liberdade temporária, onde regras sociais eram flexibilizadas e o riso ocupava o centro da vida pública.
Veneza e o nascimento do Carnaval moderno
É impossível falar do Carnaval italiano sem destacar Veneza, considerada o berço do Carnaval moderno. Documentos históricos apontam que, já no século XI, a cidade realizava celebrações carnavalescas, que se consolidaram oficialmente em 1296, quando o Senado da República de Veneza reconheceu o Carnaval como festa pública.
O grande diferencial veneziano foi o uso das máscaras, que permitiam anonimato e igualdade social. Nobres e plebeus se misturavam nas ruas, rompendo, ainda que temporariamente, as rígidas hierarquias da época. Com o tempo, o Carnaval de Veneza ganhou sofisticação, transformando-se em um espetáculo visual marcado por trajes luxuosos, bailes históricos e performances artísticas.
Em 2026, o Carnaval veneziano mais uma vez transforma a cidade em um grande palco a céu aberto, atraindo turistas de todo o mundo e reafirmando sua importância cultural e econômica.
Outros carnavais italianos que fazem história
Apesar da fama de Veneza, o Carnaval na Itália é profundamente regional e diverso. Cada cidade desenvolveu tradições próprias, refletindo sua identidade local.
Na Toscana, o Carnaval de Viareggio se destaca pelos enormes carros alegóricos feitos de papel-machê. Criados no final do século XIX, esses carros são conhecidos por sua crítica social e política, usando humor e sátira para comentar temas atuais.
No sul do país, o Carnaval de Putignano, na região da Puglia, é considerado um dos mais antigos da Europa. Com raízes que remontam à Idade Média, ele combina desfiles, músicas tradicionais e personagens folclóricos que atravessaram gerações.
Outras cidades como Ivrea, famosa pela tradicional “batalha das laranjas”, Acireale, Fano e Cento também mantêm carnavais históricos que mobilizam comunidades inteiras.
Da Itália para o mundo
O modelo europeu de Carnaval, especialmente o italiano, influenciou profundamente outros países. Elementos como desfiles organizados, uso de máscaras, fantasias e encenações chegaram ao Brasil durante o período colonial e foram reinterpretados ao longo dos séculos.
No Brasil, essas influências se misturaram a culturas africanas e indígenas, dando origem a uma das maiores festas populares do planeta. Ainda assim, a Itália permanece como um dos pontos de partida dessa tradição global.
O Carnaval italiano reforça seu papel não apenas como evento turístico, mas como patrimônio cultural vivo. Ele conecta passado e presente, religião e arte, tradição e reinvenção.
Ao celebrar o Carnaval, a Itália celebra também sua própria história, lembrando ao mundo que, muito antes dos desfiles grandiosos e dos sambódromos, a festa nasceu nas ruas europeias como um grito coletivo de alegria, liberdade e expressão popular.
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