Após décadas sendo vista como uma economia de crescimento lento, a Itália passou a registrar indicadores recentes que sugerem aproximação da França em métricas de renda e desempenho econômico. O movimento, observado em relatórios de organismos internacionais e institutos estatísticos, reflete uma combinação de recuperação pós-pandemia, ajustes fiscais e melhora no mercado de trabalho italiano.
Convergência de renda e indicadores
Dados compilados por instituições multilaterais mostram que a renda por habitante francesa ainda é superior em termos nominais. No entanto, projeções recentes apontam convergência quando se considera o poder de compra, indicador que corrige diferenças de custo de vida. Economistas destacam que esse tipo de métrica é relevante para avaliar o padrão real de consumo das famílias e comparar economias com estruturas de preços distintas.
Fatores que impulsionaram a recuperação italiana
Parte da melhora ocorreu durante o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, período marcado por execução acelerada de recursos do plano europeu de recuperação e redução gradual do déficit público. Relatórios do Fundo Monetário Internacional indicam que a economia italiana demonstrou resiliência diante das incertezas globais recentes, impulsionada sobretudo por investimentos e pela recuperação do emprego.
A taxa de desemprego recuou para níveis próximos de 6% em 2025, enquanto o déficit orçamentário diminuiu de forma relevante em relação aos anos anteriores, segundo dados oficiais europeus. Analistas avaliam que essa combinação ajudou a melhorar a percepção de risco do país nos mercados financeiros.
Desafios atuais da economia francesa
Enquanto isso, a economia francesa enfrenta um cenário mais complexo. Relatórios recentes apontam crescimento mais moderado, pressão fiscal persistente e dificuldades políticas para aprovar reformas estruturais. Ainda assim, especialistas ressaltam que o país mantém fundamentos sólidos, com setores industriais e tecnológicos competitivos e renda média ainda superior.
Mudança de ritmo, não de liderança
Para economistas, o momento atual não representa uma inversão definitiva de posições entre as duas potências europeias, mas sim um ajuste conjuntural. A Itália continua lidando com desafios estruturais relevantes, como dívida pública elevada, baixa produtividade e envelhecimento populacional, fatores que limitam seu potencial de crescimento de longo prazo.
A aproximação italiana não indica que a França tenha sido superada de forma consistente, mas sinaliza uma mudança de ritmo dentro da economia europeia. O cenário aponta para uma redistribuição gradual de dinamismo entre países centrais do bloco, ainda dependente do contexto político e das condições econômicas globais.
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