A Europa de 2026 é cada vez mais diversa — e os números confirmam essa transformação. Segundo dados atualizados do Eurostat, cerca de 46,7 milhões de pessoas que vivem na União Europeia nasceram fora do bloco, o equivalente a aproximadamente 10% da população total.
O dado não apenas impressiona pelo volume, mas também pelo ritmo de crescimento. Em relação ao ano anterior, houve um aumento de quase 2 milhões de pessoas, reforçando uma tendência contínua de mobilidade internacional em direção ao continente.
Os países com maior proporção de estrangeiros
Quando o critério é proporção da população, os líderes não são os países mais populosos — mas sim os menores e mais ricos.
O destaque absoluto é Luxemburgo, onde mais da metade da população (51%) nasceu fora do país. O número reflete o perfil altamente internacionalizado da economia local, baseada em serviços financeiros e instituições europeias.
Na sequência aparecem Malta e Chipre, ambos com forte presença de estrangeiros, impulsionada por turismo, investimento externo e programas de residência.
Outros países que se destacam incluem Irlanda e Áustria, onde cerca de um em cada cinco residentes nasceu no exterior.
Entre as maiores economias, Alemanha e Suécia também apresentam proporções elevadas, acima de 20%, consolidando-se como destinos tradicionais para imigrantes.
Sul da Europa cresce como destino migratório
Nos últimos anos, países do sul europeu passaram a ganhar protagonismo.
Espanha aparece com cerca de 19% da população nascida no exterior, impulsionada por oportunidades no turismo, construção e serviços.
Já Itália registra cerca de 11,8%, número menor em proporção, mas ainda significativo em termos absolutos. O país continua sendo porta de entrada e também destino final para muitos imigrantes.
França e Dinamarca mantêm níveis intermediários, com cerca de 14% de residentes estrangeiros.
Fora da UE: países com forte presença estrangeira
Mesmo fora da União Europeia, alguns países apresentam números ainda mais expressivos.
A Suíça lidera nesse grupo, com cerca de 31,7% da população nascida no exterior. O país combina alta renda, estabilidade e forte demanda por mão de obra qualificada.
Já a Noruega também mantém níveis elevados, com quase 19%, refletindo seu modelo econômico e qualidade de vida.
Quem tem menos estrangeiros
Na outra ponta, países do leste europeu continuam com baixa presença de imigrantes.
Polônia, Romênia, Bulgária e Eslováquia registram menos de 5% de residentes nascidos fora do país.
Esses números refletem fatores como menor atração econômica e, em alguns casos, fluxos migratórios inversos — com saída da população local para outros países da UE.
Os maiores números absolutos
Quando se observa o total de estrangeiros — e não a proporção — o cenário muda.
A Alemanha lidera com 17,2 milhões de residentes nascidos no exterior. Em seguida aparecem França, Espanha e Itália.
Isso acontece porque esses países combinam grandes populações com economias robustas, capazes de absorver fluxos migratórios elevados.
Mobilidade dentro e fora da União Europeia
Os dados também mostram que a mobilidade não acontece apenas de fora para dentro.
Cerca de 18 milhões de pessoas vivem em um país da União Europeia diferente daquele onde nasceram, o que reforça a ideia de livre circulação dentro do bloco.
Além disso, aproximadamente 30,6 milhões de residentes são cidadãos de países fora da UE, evidenciando a importância da imigração internacional para a dinâmica populacional europeia.
Tendência de crescimento contínuo
Nos últimos dez anos, a presença de estrangeiros aumentou na maioria dos países europeus. Apenas poucos registraram queda, como Letônia e Grécia.
O movimento é impulsionado por múltiplos fatores: oportunidades econômicas, estabilidade política, qualidade de vida e até mudanças climáticas.
Em 2024, por exemplo, mais de 4 milhões de pessoas chegaram à União Europeia vindas de países de fora do bloco. A Espanha liderou as entradas, seguida por Alemanha, Itália e França — países que também concentram grande parte das saídas.