O governo da Itália afirmou neste domingo (10) que o surto de hantavírus registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius não representa ameaça de uma nova pandemia global. O episódio já resultou na morte de três pessoas e deixou outras cinco infectadas durante uma travessia entre Ushuaia, no sul da Argentina, e Cabo Verde, na África.
As autoridades italianas reforçaram que o vírus possui características muito diferentes da Covid-19 e apresenta baixa capacidade de transmissão entre humanos.
“Não há risco de uma nova pandemia, não estamos na mesma situação da Covid, não há motivo para alarme no momento. Trata-se de um vírus diferente da Covid, embora mais letal, com baixa capacidade de contágio”, declarou Mara Campitiello, chefe do Departamento de Prevenção do Ministério da Saúde da Itália, em entrevista à agência Ansa.
Governo monitora contatos próximos
Como medida preventiva, a Itália colocou em isolamento quatro pessoas que tiveram contato breve com uma das vítimas durante um voo internacional. Segundo as autoridades sanitárias, nenhum dos monitorados apresentou sintomas até o momento.
Mara Campitiello explicou que a quarentena preventiva foi adotada devido ao longo período de incubação do vírus.
“A transmissibilidade parece ocorrer não na fase pré-clínica, mas sim no início dos sintomas”, acrescentou.
O que se sabe sobre o surto no MV Hondius
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com partículas contaminadas por secreções de roedores silvestres. A doença é considerada endêmica em algumas regiões da Argentina.
De acordo com especialistas, a cepa identificada no navio é a variante Andes, considerada a única capaz de transmissão entre humanos, ainda assim, de forma rara e limitada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha com a hipótese de que a infecção inicial tenha ocorrido ainda em território argentino, antes do embarque dos passageiros.
O MV Hondius deixou Ushuaia em 1º de abril de 2026 transportando aproximadamente 150 passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades diferentes.
Sintomas e riscos da doença
Os primeiros sinais da infecção costumam incluir febre, fadiga intensa, dores musculares, dor de cabeça, tontura e calafrios.
Nos quadros mais graves, a doença pode evoluir para complicações severas, como síndrome cardiopulmonar aguda, insuficiência renal e febre hemorrágica.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o hantavírus.
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