Begoña Gómez, mulher de Pedro Sánchez, entrega passaporte à Justiça e fica impedida de deixar o espaço Schengen

Begoña Gómez, mulher do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, entregou o passaporte à Justiça em cumprimento de uma medida cautelar determinada pelo juiz responsável pela investigação em que é arguida. Além de ficar impedida de sair do espaço Schengen, terá de se apresentar em tribunal a cada 15 dias enquanto aguarda os próximos desdobramentos do processo.

Begoña Gómez, esposa do primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, entregou nesta quarta-feira o seu passaporte ao Tribunal de Madrid, cumprindo uma das medidas cautelares impostas no âmbito da investigação em que responde por alegados crimes de tráfico de influências, corrupção nos negócios e apropriação indevida.

A entrega ocorreu no final da tarde, após Gómez chegar ao edifício judicial pela garagem, evitando contacto com a imprensa.

A decisão judicial já foi contestada pela defesa, que recorreu para a Audiência Provincial de Madrid, alegando que não existem fundamentos suficientes para justificar as medidas restritivas.

Impedida de deixar o espaço Schengen

Com a entrega do passaporte, Begoña Gómez fica impedida de sair do espaço Schengen enquanto decorre a investigação.

Além disso, terá de comparecer em tribunal a cada 15 dias para confirmar a sua permanência em território espanhol.

A medida faz com que, na prática, a esposa de Pedro Sánchez deixe de acompanhar o primeiro-ministro em compromissos internacionais fora da área Schengen.

Investigação segue em andamento

O caso está relacionado com atividades desenvolvidas por Gómez na Universidade Complutense de Madrid e com alegadas relações mantidas com empresas privadas.

Segundo o juiz responsável pela investigação, existem indícios suficientes para prosseguir com a instrução relativamente aos crimes investigados. Caberá agora ao tribunal competente decidir se o caso seguirá para julgamento.

Durante a audiência preliminar realizada na semana passada, as acusações defenderam que os arguidos fossem julgados por um tribunal de júri e solicitaram medidas cautelares devido ao alegado risco de fuga.

Já o Ministério Público e a defesa pediram o arquivamento do processo, sustentando que não existem provas suficientes para justificar uma acusação criminal.

Caso gera forte debate político

A investigação, aberta em 2024, continua a provocar forte repercussão política em Espanha.

Enquanto os partidos da oposição defendem o prosseguimento das investigações, o Governo considera que o processo apresenta fragilidades jurídicas.

Também nesta quarta-feira, Pedro Sánchez compareceu ao Congresso dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre vários processos judiciais envolvendo pessoas próximas do seu círculo político e familiar.

Durante a intervenção, o chefe do Governo criticou as medidas impostas à esposa, afirmando que elas “ultrapassam os limites do razoável”.

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