Inga Ruginienė, primeira-ministra da Lituânia, se demite após menos de um ano no cargo

A primeira-ministra da Lituânia, Inga Ruginienė, apresentou a demissão após menos de um ano no cargo. O Governo permanecerá em funções até a formação de um novo executivo, que deverá ser liderado por Mindaugas Sinkevičius. A mudança ocorre após um mandato marcado por crises políticas, desafios na segurança e polêmicas envolvendo membros do governo.

A primeira-ministra da Lituânia, Inga Ruginienė, anunciou nesta terça-feira a sua demissão, encerrando um mandato de apenas dez meses à frente do Governo.

Durante a última reunião do Conselho de Ministros, a governante afirmou que a saída faz parte da normalidade da vida política.

“Na política nada é permanente e nós, enquanto políticos, temos de perceber que os nossos cargos e funções não são eternos”, declarou aos jornalistas.

Segundo Ruginienė, o executivo aproveitou bem o tempo em funções e agora inicia-se uma nova etapa na liderança do país.

Mudança já era esperada

A substituição deverá abrir caminho para que Mindaugas Sinkevičius, líder do Partido Social-Democrata, assuma o cargo de primeiro-ministro.

Segundo a própria Ruginienė, essa transição já era discutida desde o ano passado.

O presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, deverá apresentar oficialmente o nome de Sinkevičius ao parlamento nos próximos dias. Caso seja aprovado pelo Seimas, o novo chefe de Governo ficará responsável pela formação do executivo.

Até lá, o atual Governo permanecerá em funções.

Mandato marcado por crises

Apesar da curta duração, o mandato de Ruginienė foi marcado por diversos desafios internos e externos.

Entre os principais episódios estiveram:

  • Incidentes de segurança envolvendo drones e balões utilizados para contrabando;
  • A aprovação de um orçamento recorde para a Defesa, equivalente a 5,38% do PIB;
  • A demissão dos ministros da Cultura e da Defesa;
  • Polémicas relacionadas com viagens oficiais de familiares de membros do Governo.

A gestão de informações divulgadas pelo Centro de Registos também gerou críticas ao executivo.

Volta ao Ministério da Segurança Social

Após deixar o cargo de primeira-ministra, Ruginienė deverá regressar ao Ministério da Segurança Social, pasta que ocupava antes de assumir a chefia do Governo.

Segundo a governante, é nessa área que continua a sentir maior identificação política.

Política externa continuará sob observação

A formação do novo executivo também reacende as dúvidas sobre o futuro do ministro dos Negócios Estrangeiros, Kęstutis Budrys.

O diplomata é visto como próximo do presidente Gitanas Nausėda e terá pela frente um dos principais objetivos da nova coligação: tentar normalizar as relações diplomáticas entre a Lituânia e a China.

Ao mesmo tempo, o país mantém uma posição alinhada com outros membros da União Europeia na defesa de medidas comerciais mais rigorosas para responder às práticas consideradas desleais por parte de Pequim.

Comente

Neste Artigo

Sobre o autor