A Itália enfrenta mais um episódio de calor extremo neste verão. Após duas ondas intensas registradas nas últimas semanas, uma nova massa de ar quente proveniente do Norte da África voltou a elevar as temperaturas em praticamente todo o território italiano. A previsão indica que o pico do calor ocorrerá entre quinta (16) e sexta-feira (17), quando algumas regiões poderão registrar até 45°C.
As áreas mais afetadas devem ser o interior da Sardenha e parte do sul da península, onde os termômetros podem alcançar níveis excepcionalmente elevados para o período. Além do desconforto, o fenômeno aumenta os riscos à saúde, favorece incêndios florestais e dificulta o descanso da população durante a noite.
Ministério da Saúde coloca 15 cidades em alerta vermelho
Diante da previsão de temperaturas extremas, o Ministério da Saúde da Itália emitiu alerta vermelho para 15 cidades. Esse é o nível máximo da escala utilizada pelo governo italiano para monitorar ondas de calor e indica que as condições climáticas representam risco não apenas para grupos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, mas também para indivíduos jovens e saudáveis.
As cidades em alerta máximo são:
- Bolonha
- Brescia
- Cagliari
- Campobasso
- Florença
- Frosinone
- Gênova
- Latina
- Palermo
- Perugia
- Pescara
- Rieti
- Roma
- Turim
- Viterbo
As autoridades orientam moradores e turistas a evitarem atividades ao ar livre durante as horas mais quentes do dia, reforçando a importância da hidratação constante e da permanência em locais climatizados sempre que possível.
Interior da Sardenha pode registrar até 45°C
Os meteorologistas apontam que as temperaturas mais elevadas deverão ocorrer no interior da ilha da Sardenha, onde os termômetros podem atingir aproximadamente 45°C.
Em diversas outras regiões italianas, principalmente no centro e no sul do país, as máximas devem permanecer entre 37°C e 41°C, enquanto nas grandes cidades a sensação térmica tende a ser ainda mais elevada devido ao concreto, ao asfalto e à pouca circulação de vento.
Esse efeito, conhecido como “ilha de calor urbana”, faz com que áreas densamente povoadas retenham calor por mais tempo, agravando o desconforto principalmente durante a noite.
Poeira do Saara agrava o calor e impede o resfriamento noturno
Além da massa de ar quente africana, outro fenômeno meteorológico contribui para intensificar o calor na Itália: a chegada de partículas de poeira transportadas pelo deserto do Saara.
Embora essa camada possa reduzir parcialmente a incidência direta dos raios solares ao longo do dia, ela também dificulta a dissipação do calor acumulado na atmosfera durante a noite.
Como consequência, diversas regiões enfrentam as chamadas “noites tropicais”, quando a temperatura permanece acima dos 25°C durante toda a madrugada. Nessas condições, o organismo encontra maior dificuldade para recuperar-se do calor intenso, aumentando o risco de problemas de saúde relacionados às altas temperaturas.
Europa registra milhares de mortes associadas às ondas de calor
O atual episódio faz parte de uma sequência de ondas de calor que atingem grande parte da Europa neste verão.
Segundo dados da rede europeia EuroMOMO, responsável pelo monitoramento da mortalidade em diversos países do continente, a recente onda de calor provocou cerca de 10 mil mortes em excesso, principalmente entre idosos e pessoas com maior vulnerabilidade.
Na Itália, até o momento, não foi divulgado um número oficial de mortes diretamente relacionadas à atual onda de calor. Ainda assim, o Ministério da Saúde acompanha diariamente a evolução das condições climáticas e atualiza os níveis de alerta conforme a situação em cada cidade.
Calor extremo aumenta risco de incêndios florestais
As temperaturas elevadas também favorecem a ocorrência de incêndios em áreas de vegetação.
Nos últimos dias, equipes de emergência foram mobilizadas em diferentes regiões italianas, especialmente na Sardenha e em áreas do sul do país, onde o calor intenso, a baixa umidade e os ventos criam condições favoráveis para a rápida propagação das chamas.
As autoridades mantêm monitoramento constante das áreas de maior risco durante todo o período de temperaturas extremas.
Recomendações para brasileiros que viajam à Itália
Quem pretende visitar a Itália nos próximos dias deve adaptar parte do roteiro às condições climáticas.
Especialistas recomendam que passeios ao ar livre, especialmente em cidades históricas como Roma, Florença, Bolonha, Palermo e Cagliari, sejam realizados nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde, quando as temperaturas costumam ser mais amenas.
Durante o período entre o fim da manhã e o meio da tarde, quando o calor atinge seu pico, a melhor alternativa é visitar museus, igrejas, galerias, centros culturais, cafés e restaurantes climatizados, hábito bastante comum entre os próprios italianos durante o verão.
Também é recomendável manter uma garrafa de água sempre à disposição, utilizar roupas leves e de cores claras, proteger-se com chapéu ou boné, aplicar protetor solar regularmente e evitar exposição prolongada ao sol.
Ondas de calor se tornam cada vez mais frequentes no sul da Europa
Especialistas em clima apontam que episódios como o registrado neste verão tendem a ocorrer com maior frequência e intensidade nos próximos anos.
O aumento da temperatura média global, associado às mudanças climáticas, vem tornando as ondas de calor mais longas, severas e recorrentes em países do sul da Europa, incluindo a Itália.
Embora o verão continue sendo uma das épocas mais procuradas pelos turistas para conhecer o país, as condições climáticas extremas exigem planejamento e cuidados extras para que a viagem ocorra com segurança.
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