Milão registrou 9.404 aquisições de cidadania italiana em 2025, um aumento de 4,2% em relação ao ano anterior. Apesar do crescimento, os reconhecimentos por descendência tiveram uma participação pequena: foram apenas 160 casos, o equivalente a 1,7% do total.
Os dados foram divulgados pela administração municipal em junho de 2026 e voltaram a ser destaque na imprensa italiana nesta quarta-feira (14), em reportagem do jornal Il Giornale.
O levantamento mostra que a quantidade de novas cidadanias vem aumentando nos últimos anos. Em 2023, foram registrados 8.724 casos. Em 2024, o número subiu para 9.022. Já em 2025, chegou a 9.404.
Residência foi a principal via para obter a cidadania
Mais da metade das aquisições registradas em Milão ocorreu por residência. Foram 5.216 casos, correspondentes a 55,5% do total.
Essa modalidade permite que estrangeiros solicitem a cidadania após cumprir os requisitos legais de residência na Itália. O tempo exigido varia conforme a situação de cada pessoa, incluindo sua nacionalidade e eventuais condições específicas previstas na legislação.
A segunda categoria mais numerosa envolveu menores de idade que adquiriram a cidadania em consequência da naturalização dos pais. Foram 2.403 registros, ou 25,6% do total.
Outros 1.137 casos envolveram pessoas nascidas na Itália que exerceram o direito à cidadania ao atingir a maioridade. Esse grupo representou 12,1% das aquisições contabilizadas em 2025.
A cidadania por casamento somou 482 casos, equivalentes a 5,1%.
Apenas 160 cidadanias foram reconhecidas por descendência
Entre todas as modalidades, o reconhecimento por descendência teve uma participação reduzida. Foram 160 registros em 2025, apenas 1,7% das aquisições contabilizadas pelo município.
Essa modalidade é conhecida como iure sanguinis, expressão em latim que significa “direito de sangue”. Ela está relacionada à transmissão da cidadania italiana por meio da descendência de um cidadão italiano, desde que os requisitos legais aplicáveis sejam cumpridos.
Diferentemente da cidadania por residência, o reconhecimento por descendência não depende, em regra, de o requerente morar na Itália por determinado período. O processo envolve a comprovação da linha familiar e a análise dos documentos necessários, conforme as normas vigentes.
O levantamento também contabilizou cinco aquisições relacionadas ao reconhecimento de filiação e um caso por adoção.
O que os números significam para os brasileiros?
Os dados ajudam a compreender quais foram as principais formas de aquisição da cidadania italiana em Milão ao longo de 2025. No entanto, é importante interpretar os números com cuidado.
Os 160 registros por descendência correspondem apenas aos procedimentos contabilizados pelo município de Milão. Eles não representam o total de reconhecimentos realizados na Itália nem permitem concluir quantos brasileiros obtiveram a cidadania italiana no período.
Além disso, o levantamento não indica, por si só, que houve uma queda na procura pela cidadania por descendência. Para chegar a essa conclusão, seria necessário comparar os dados específicos dessa modalidade ao longo dos anos e considerar as mudanças nas regras e nos procedimentos de reconhecimento.
Assim, embora o iure sanguinis tenha representado uma parcela pequena das aquisições em Milão, os números devem ser entendidos dentro do contexto local e das diferentes vias previstas para a obtenção da nacionalidade italiana.
Leia também: Papa Leão XIV deseja manter viagem à América Latina, mas Vaticano ainda não confirma agenda