No coração do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, existe uma região onde a herança germânica não apenas sobreviveu ao tempo, mas se tornou parte viva do cotidiano. Conhecida popularmente como “Alemanha Brasileira”, essa identidade cultural encontra sua expressão mais marcante na cidade de Pomerode.
Mais do que um destino turístico, Pomerode é resultado direto da imigração alemã no século XIX e representa um raro exemplo de continuidade cultural em solo brasileiro.
Como surgiu a Alemanha Brasileira
Para compreender essa forte ligação com a Alemanha, é preciso voltar ao ano de 1863, quando grupos de imigrantes europeus chegaram ao Vale do Itajaí em busca de liberdade religiosa, oportunidades econômicas e um novo começo.
Entre esses pioneiros estava Ferdinand Hackradt, responsável por organizar a chegada das famílias e estruturar os primeiros núcleos da comunidade. Esses imigrantes trouxeram não apenas seus pertences, mas também costumes, idioma, valores e uma forte ética de trabalho.
Da mata fechada à prosperidade
Ao chegarem à região, os imigrantes encontraram uma densa mata atlântica. O desafio era enorme. Com trabalho coletivo, eles transformaram o ambiente natural em áreas produtivas, cultivando arroz, milho e criando gado para garantir a subsistência das famílias.
O comércio local rapidamente se desenvolveu, fortalecendo a economia da vila e criando uma base sólida para o crescimento da comunidade. Esse esforço coletivo foi fundamental para que o núcleo prosperasse ao longo das décadas.
Em 1959, após anos de desenvolvimento, a localidade conquistou sua emancipação administrativa, deixando de pertencer a Blumenau e se tornando oficialmente o município de Pomerode.
Arquitetura enxaimel: um patrimônio a céu aberto
Um dos aspectos mais impressionantes da Alemanha Brasileira no Vale do Itajaí é o seu visual urbano. Pomerode abriga a maior concentração de casas em estilo enxaimel fora da Alemanha, técnica construtiva tradicional que utiliza estruturas de madeira aparente.
Essas construções não são apenas cenográficas: muitas delas continuam sendo residências, comércios e espaços comunitários, reforçando a ideia de que a cidade funciona como um verdadeiro museu vivo da imigração alemã.
Cultura preservada no dia a dia
A herança germânica vai muito além da arquitetura. Em Pomerode e em outras cidades do Vale do Itajaí, ela se manifesta:
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No idioma alemão ainda falado por parte da população,
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Na gastronomia típica,
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Nas festas tradicionais,
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Na música, na dança e nos costumes familiares.
Essa preservação cultural não ocorreu por acaso. Ela foi mantida por gerações que fizeram questão de transmitir suas tradições, adaptando-se ao Brasil sem perder a própria identidade.
A importância histórica do Vale do Itajaí
A chamada Alemanha Brasileira não representa apenas uma curiosidade cultural, mas um capítulo importante da história do Brasil. A imigração alemã contribuiu significativamente para o desenvolvimento econômico, social e cultural de Santa Catarina, deixando marcas profundas que permanecem visíveis até hoje.
O Vale do Itajaí é um exemplo de como diferentes culturas podem se integrar ao território brasileiro, enriquecendo a identidade nacional sem apagar suas origens.
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