O deputado Fabio Porta – Partido Democrático, veio a público esclarecer os bastidores da votação que prorrogou o prazo para o reconhecimento da cidadania italiana de menores até 2029.
Apesar de apenas dois dos oito deputados eleitos no exterior terem votado favoravelmente ao texto final, Porta enfatizou que sua posição pessoal e a de seu partido em relação ao benefício permanece inalterada.
“O nosso voto foi, evidentemente, a favor da emenda. Aliás, nós apresentamos a emenda”, declarou o parlamentar.
Voto de confiança gerou impasse político
Segundo Porta, o ponto central da controvérsia foi o fato de a votação na Câmara dos Deputados da Itália ter sido vinculada a uma “questão de confiança” (fiducia) ao governo.
Esse mecanismo obriga os parlamentares a aprovarem ou rejeitarem integralmente o decreto apresentado pelo Executivo, sem possibilidade de votar separadamente apenas os trechos com os quais concordam.
“Uma coisa é votar a favor de uma emenda, outra coisa é votar a favor de toda a lei, que contém também coisas erradas”, afirmou.
O decreto em questão foi o Decreto Milleproroghe, tradicional medida legislativa que reúne prorrogações de prazos e ajustes normativos em diversas áreas.
Críticas ao conteúdo do decreto
Porta explicou que, embora tenha defendido a ampliação do prazo para a cidadania de menores, considerou problemático apoiar o texto completo do decreto.
Segundo ele, o Milleproroghe “penaliza setores importantes”, citando especificamente a indústria e a editoria italiana no exterior como áreas afetadas por dispositivos considerados inadequados.
“O nosso voto foi um ‘não’ ao governo, não à cidadania dos menores”, reforçou.
Ausência em plenário
O deputado também justificou sua ausência física na sessão, informando que estava em missão oficial na Argentina no momento da votação. Ainda assim, fez questão de reafirmar que sua posição política não mudou.
“O nosso voto foi, evidentemente, a favor da emenda”, reiterou.
Complexidade do Parlamento italiano
O episódio evidencia a dinâmica complexa do Parlamento italiano, onde votações técnicas frequentemente se entrelaçam com disputas políticas mais amplas. Em casos como esse, temas de interesse direto das comunidades italianas no exterior, como a cidadania por descendência, acabam inseridos em disputas envolvendo votos de confiança ao governo.
A matéria agora segue repercutindo entre descendentes e lideranças comunitárias que acompanham de perto qualquer mudança nas regras de reconhecimento da cidadania italiana.
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