O ano de 2026 será decisivo para quem acompanha os temas de cidadania e imigração na Europa em 2026.
Entre reformas legais, decisões judiciais aguardadas e a entrada em funcionamento de novos sistemas digitais de fronteira, o continente avança para um modelo migratório mais restritivo, mais tecnológico e mais uniforme entre os Estados-membros.
As mudanças afetam diretamente brasileiros e outros estrangeiros interessados em cidadania por descendência, vistos de trabalho, residência legal e circulação dentro do espaço europeu.
Itália e Portugal seguem no centro desse debate, mas as transformações são de caráter continental.
Itália: cidadania por descendência sob julgamento
A principal expectativa de 2026 na Itália envolve a decisão da Corte Constitucional da Itália sobre a legalidade das restrições impostas ao reconhecimento da cidadania italiana por descendência (ius sanguinis).
O tribunal analisará o decreto aprovado em março de 2025, conhecido como Decreto Tajani, que limitou o direito apenas a filhos, pais ou avós nascidos na Itália.
Antes da mudança, bastava comprovar uma linha ininterrupta de descendência italiana, independentemente do número de gerações.
A audiência pública está marcada para 11 de março de 2026, e a sentença é esperada para abril.
Caso a corte considere a norma inconstitucional, milhares de processos negados poderão ser reabertos, além da possível reativação do direito para descendentes mais distantes.
A decisão terá impacto direto sobre brasileiros, argentinos e norte-americanos, que historicamente lideram os pedidos de cidadania italiana fora da Europa.
Sistema de cotas de trabalho na Itália
No campo migratório, a Itália confirmou para 2026 a abertura de cerca de 165 mil vagas para trabalhadores de fora da União Europeia por meio do sistema conhecido como Decreto Flussi.
As autorizações estão concentradas nos setores de:
- Agricultura
- Turismo e hotelaria
- Construção civil
- Cuidados pessoais e trabalho doméstico
O calendário mantém o modelo de click day, com abertura do sistema em janeiro para o setor agrícola e em fevereiro para turismo e serviços domésticos.
Uma novidade é a autorização para contratação de cuidadores de crianças menores de seis anos fora do sistema de cotas, regra que antes se aplicava apenas a idosos e pessoas com deficiência.
Portugal: estabilidade jurídica?
Portugal não anunciou reformas estruturais tão profundas quanto a Itália, mas em 2026 deve consolidar uma mudança de postura no controle migratório.
Após o fim do regime de “manifestação de interesse” automática e a reorganização da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), o país caminha para processos mais exigentes, com maior cruzamento de dados e fiscalização de vínculos laborais reais.
Apesar disso, Portugal se mantém como uma das portas de entrada mais acessíveis para brasileiros, especialmente via:
- Acordos da CPLP
- Vistos de trabalho
- Reagrupamento familiar
No campo da cidadania, não há previsão de mudanças legislativas relevantes em 2026, mas o aumento da procura tem provocado atrasos e maior rigor na análise documental.
União Europeia: novo pacto migratório entra em vigor
O maior impacto estrutural vem da própria União Europeia. A partir de meados de 2026, entram em vigor partes centrais do novo Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, aprovado em 2024.
As principais mudanças incluem:
- Processamento mais rápido de pedidos de asilo
- Centros de retorno fora do território europeu para migrantes com pedidos negados
- Detenção prolongada para quem se recusar a sair voluntariamente
- Regras mais rígidas para pedidos repetidos
O objetivo é reduzir a imigração irregular e uniformizar procedimentos entre os Estados-membros.
Controle digital: fronteiras mais tecnológicas
Dois sistemas digitais vão alterar profundamente a experiência de entrada na Europa:
Sistema de Entrada/Saída (EES)
O EES substituirá os carimbos manuais no passaporte por registos biométricos (impressões digitais e fotografia). O sistema deverá estar plenamente operacional até abril de 2026 em todos os aeroportos e fronteiras terrestres do espaço Schengen.
ETIAS
O Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem (ETIAS) será obrigatório para cidadãos de países isentos de visto, como o Brasil.
- Taxa: 20 euros
- Validade: 3 anos
- Entrada em vigor prevista: final de 2026
O ETIAS não é um visto, mas funcionará como autorização prévia para viagens de curta duração.
Reino Unido: novas exigências para residentes europeus
Embora fora da UE, o Reino Unido impacta diretamente residentes europeus.
A partir de fevereiro de 2026, entra em vigor a exigência do ETA (Electronic Travel Authorisation) para todas as nacionalidades estrangeiras, incluindo residentes legais na Itália, Portugal e outros países da União Europeia.
O documento custará 16 libras e terá validade de dois anos.
O que muda para brasileiros
Para brasileiros interessados em cidadania e imigração na Europa em 2026, o cenário aponta para:
- Menos margem para informalidade
- Mais exigência documental
- Processos digitais e biométricos
- Decisões judiciais com impacto retroativo
- Planejamento prévio cada vez mais essencial
A tendência não é de fechamento total, mas de seleção mais rigorosa, com prioridade para vínculos reais, qualificação profissional e integração comprovada.
Resumindo
O ano de 2026 não será marcado por uma única mudança, mas por um conjunto de ajustes simultâneos que redesenham o modelo migratório europeu.
Itália, Portugal e a União Europeia caminham para regras mais claras, porém menos flexíveis, exigindo atenção redobrada de quem pretende viver, trabalhar ou obter cidadania no continente.
Para estrangeiros, especialmente brasileiros, informação correta e planejamento jurídico têm se tornado fatores decisivos para navegar esse novo cenário europeu.