Os passaportes da Europa voltaram a se destacar no mais recente ranking global de mobilidade internacional, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos registraram a sua pior colocação em 20 anos, segundo o Índice de Passaportes Henley, divulgado na semana passada.
O levantamento mostra que mais de 25 países europeus permanecem entre os dez primeiros colocados do mundo, superados apenas por um grupo de países asiáticos.
Já os Estados Unidos, pela primeira vez desde o início da série histórica, ficaram fora do top 10.
Ranking global de mobilidade
O ranking, elaborado pela Henley & Partners, utiliza dados da Associação Internacional de Transportes Aéreos para classificar os passaportes de acordo com o número de destinos acessíveis sem necessidade de visto prévio.
Em 2025, o ranking é liderado por:
- Singapura – acesso sem visto a 193 países
- Coreia do Sul – 190 países
- Japão – 189 países
Logo a seguir surgem vários países europeus, consolidando a força dos passaportes da Europa:
- Alemanha, Itália, Luxemburgo, Espanha e Suíça
- Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Irlanda e Países Baixos
- Portugal, Suécia, Noruega, Grécia e Hungria, entre outros
EUA e Reino Unido em queda histórica
Os titulares de passaporte dos Estados Unidos podem entrar, sem visto, em 180 países, o que fez o país cair para a 12.ª posição, empatado com a Malásia. Este é o pior desempenho norte-americano em duas décadas.
O Reino Unido também registrou uma queda significativa, descendo para o 8.º lugar, a posição mais baixa desde a criação do ranking.
Segundo analistas, a queda está relacionada com políticas migratórias mais restritivas e a redução da reciprocidade de entrada sem visto. Atualmente, os EUA permitem acesso sem visto a apenas 46 nacionalidades, ocupando a 77.ª posição no Índice de Abertura Henley.
Mudança nas dinâmicas globais
Para Christian H. Kaelin, presidente da Henley & Partners, o declínio norte-americano reflete uma transformação mais profunda.
“O enfraquecimento do passaporte dos EUA não é apenas uma mudança de ranking. É um sinal claro de uma alteração estrutural na mobilidade global e no poder de influência internacional”, afirmou.
Ele destaca que países que apostam em abertura, cooperação e acordos multilaterais continuam a subir no ranking, enquanto nações que dependem de vantagens históricas perdem terreno.
China avança rapidamente
Outro destaque do estudo é a China, que passou da 94.ª posição em 2015 para a 64.ª em 2025, após ampliar significativamente o número de países com acesso sem visto.
Somente no último ano, Pequim concedeu entrada sem visto a cidadãos de mais 30 países, fortalecendo sua posição no cenário global.
Cresce procura por outras cidadanias
O declínio do passaporte norte-americano está impulsionando a procura por outras cidadanias. Segundo a Henley & Partners, os cidadãos dos EUA se tornaram o maior grupo de candidatos a programas de migração por investimento em 2025.
Para o professor Peter J. Spiro, a tendência deve se intensificar. “A dupla cidadania se tornou algo normal. Para muitos americanos, ter um segundo passaporte é agora uma forma de garantir mobilidade e segurança”, afirma.
Europa mantém liderança
Enquanto isso, a Europa continua com o posto dos passaportes mais poderosos, garantindo acesso a dezenas de países, reforçando a posição do continente como um dos principais polos de mobilidade internacional, diplomacia e integração global.