Sobrenomes portugueses dão direito à cidadania? Veja o que a lei diz

Ter sobrenomes portugueses cidadania portuguesa é uma dúvida frequente entre brasileiros, mas especialistas alertam: o nome de família, sozinho, não garante o direito à nacionalidade. A lei exige comprovação de ascendência direta e documentação oficial.

A presença de sobrenomes portugueses é uma das razões mais comuns que levam brasileiros a procurar informações sobre a nacionalidade europeia. 

Nomes como Silva, Santos, Pereira, Costa ou Rodrigues aparecem em milhões de certidões no Brasil, mas isso não significa, automaticamente, direito à cidadania.

De acordo com a legislação de Portugal, o sobrenome não é critério legal para concessão de nacionalidade. 

O que determina o direito é a comprovação de descendência direta de um cidadão português ou o enquadramento em outras hipóteses previstas em lei, como casamento ou residência.

Sobrenomes portugueses não garantem cidadania

Especialistas em direito migratório são unânimes: não existe lista oficial de sobrenomes portugueses que dão direito à cidadania. Ter um nome de origem portuguesa pode indicar uma possível ascendência, mas não substitui documentos oficiais.

No Brasil, muitos sobrenomes portugueses tornaram-se extremamente comuns devido ao processo de colonização, miscigenação e registros civis feitos durante o período imperial e republicano.

Entre os sobrenomes mais frequentes estão:

  • Silva
  • Santos
  • Oliveira
  • Pereira
  • Costa
  • Rodrigues
  • Alves
  • Lima
  • Ribeiro
  • Gomes

Apesar da origem portuguesa, milhões de pessoas com esses sobrenomes não possuem nenhum ascendente português vivo ou documentado.

Por que existe essa confusão?

A confusão ocorre porque, em muitos casos, brasileiros descobrem antepassados portugueses após pesquisas genealógicas. Quando isso acontece, o sobrenome passa a ser visto como um “indício” de direito à cidadania, mas nunca como prova.

Outro fator é a circulação de conteúdos enganosos na internet, que sugerem que determinados sobrenomes garantem acesso à nacionalidade, o que não corresponde à realidade legal.

Quando o sobrenome pode ajudar?

O sobrenome pode ajudar apenas como ponto de partida para pesquisa familiar. Ele pode indicar:

  • Uma possível origem portuguesa;
  • Uma linha de investigação genealógica;
  • A chance de existir um ascendente português em registros antigos.

Mas o pedido de cidadania só avança quando há documentos oficiais, como:

  • Certidão de nascimento do ascendente português;
  • Certidões que comprovem a linha de transmissão (pai, mãe, avós);
  • Registros civis reconhecidos por Portugal.

Sem isso, o sobrenome não tem qualquer valor jurídico.

O que realmente dá direito à cidadania portuguesa?

A lei portuguesa é clara. Têm direito à nacionalidade, entre outros:

  • Filhos de cidadãos portugueses;
  • Netos de portugueses, com comprovação de vínculo efetivo;
  • Pessoas casadas ou em união estável com portugueses;
  • Estrangeiros que residem legalmente em Portugal há vários anos.

Em todos os casos, o sobrenome é irrelevante do ponto de vista legal. O que importa é o vínculo jurídico comprovado.

Casos comuns de frustração

Advogados relatam casos frequentes de brasileiros que iniciam processos caros apenas com base no sobrenome e acabam tendo o pedido indeferido.

“Muitas pessoas acreditam que ter um sobrenome português é suficiente. Quando descobrem que precisam provar a ascendência com documentos, percebem que não têm como avançar”, explicam especialistas.

Esse tipo de erro gera perda de tempo, dinheiro e expectativas irreais.

Genealogia: o caminho correto

Para quem tem sobrenomes portugueses e deseja investigar a possibilidade de cidadania, o caminho correto é:

  1. Pesquisar a árvore genealógica;
  2. Identificar o possível ascendente português;
  3. Localizar certidões em Portugal e/ou no Brasil;
  4. Verificar se há transmissão direta do direito.

Somente após esse levantamento é possível afirmar se existe ou não direito à cidadania.

Atenção às promessas fáceis!

Autoridades portuguesas e advogados alertam para empresas que prometem cidadania apenas com base no sobrenome. Não existe atalho legal.

A nacionalidade portuguesa é um direito sério, regulado por lei, e exige comprovação rigorosa.

Conclusão

Ter sobrenomes portugueses cidadania portuguesa pode despertar curiosidade e esperança, mas não garante nenhum direito por si só. O sobrenome é apenas um elemento cultural e histórico — não jurídico.

Quem deseja obter a cidadania deve focar na comprovação documental da ascendência ou no enquadramento legal correto, evitando promessas enganosas e expectativas irreais.

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