Um tratado internacional firmado entre os Estados Unidos e diversos países da União Europeia tem aberto uma porta pouco conhecida para quem possui cidadania europeia e deseja morar legalmente nos EUA.
Diferente de vistos de trabalho tradicionais ou do Green Card, o visto E-2 se baseia em investimento empresarial e permite residência legal enquanto o negócio estiver ativo.
O que é o visto E2
O visto E2 é destinado a cidadãos de países que mantêm tratado comercial e de navegação com os Estados Unidos, entre eles, a maioria dos países da União Europeia, como Portugal, Itália, Espanha, França, Alemanha, Irlanda e Países Baixos.
De forma geral, o visto permite que o cidadão europeu:
- Invista em um negócio nos EUA, novo ou já existente
- Resida legalmente no país enquanto o investimento estiver ativo
- Trabalhe exclusivamente na própria empresa
- Leve cônjuge e filhos menores de 21 anos
- Renove o visto indefinidamente, desde que cumpra os requisitos
Vale ressaltar que o visto E2 não é um visto de trabalho comum, e também não concede Green Card automático.
Ainda assim, ele é considerado um dos vistos mais flexíveis e acessíveis para quem deseja viver nos Estados Unidos de forma legal.
Por que a cidadania europeia faz diferença
Brasileiros sem outra nacionalidade não têm acesso direto ao visto E2, pois o Brasil não possui tratado desse tipo com os EUA. Já cidadãos europeus, incluindo brasileiros com cidadania italiana, portuguesa ou espanhola, podem solicitar o visto normalmente.
Isso faz com que a cidadania europeia funcione como um atalho jurídico para residência legal nos Estados Unidos. Afinal, você estaria migrando como um europeu, não latino-americano.
Investimento: quanto é necessário?
A lei americana não fixa um valor mínimo oficial para o investimento no visto E2. O critério utilizado é o da “substantial investment”, ou seja, um valor considerado suficiente para tornar o negócio real, ativo e economicamente viável.
Esses investimentos costumam variar entre US$ 80 mil e US$ 200 mil, dependendo do tipo de empresa. Franquias, restaurantes, serviços, consultorias e negócios digitais são os modelos comuns.
O investimento deve:
- Estar em risco (não pode ser apenas dinheiro parado)
- Gerar atividade econômica real
- Ter capacidade de sustentar o investidor e sua família
Família e trabalho do cônjuge
Um dos grandes atrativos do visto E2 é o impacto familiar.
O cônjuge pode solicitar autorização de trabalho nos EUA e trabalhar para qualquer empregador, os filhos podem estudar legalmente em escolas públicas ou privadas e toda a família permanece com status de imigrante legal enquanto o visto estiver válido.
Renovação e permanência
O visto E2 não tem limite máximo de renovações. Ele pode ser renovado repetidas vezes, desde que:
- O negócio continue ativo
- O investimento seja mantido
- A empresa gere impacto econômico
Isso faz com que muitos investidores usem o visto E2 como uma estratégia de médio e longo prazo, inclusive como etapa inicial para outros processos migratórios.
O visto E2 possui alta taxa de aprovação
Especialistas em imigração destacam que o visto E2 apresenta alta taxa de sucesso, especialmente quando o plano de negócios é bem estruturado, a origem do dinheiro é comprovada e a empresa tem viabilidade real.
Por isso, ele é considerado um dos vistos mais eficientes para quem tem cidadania europeia e deseja viver nos Estados Unidos sem depender de sorteios, empregadores ou processos longos.
Atenção: o planejamento ainda é necessário
Apesar de vantajoso, o visto E2 não é automático e exige estratégia jurídica, planejamento financeiro e estrutura empresarial adequada.
Promessas de “visto E2 fácil” ou “investimento simbólico” devem ser vistas com cautela. Cada caso precisa de análise individual, especialmente para evitar recusas ou problemas futuros com a imigração americana.