Tribunal abre 50 vagas para acelerar processos contra a AIMA em Portugal

O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais autorizou um concurso extraordinário com 50 vagas para reduzir o volume recorde de processos contra a AIMA em Portugal.

O sistema judicial português vai reforçar, de forma extraordinária, a resposta aos processos contra a AIMA

Um concurso especial com 50 vagas foi aprovado esta semana pelo Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) para tratar exclusivamente das ações judiciais movidas contra a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

A decisão foi tomada por considerar a situação “crítica e sem solução imediata por via legislativa ou executiva”.

Mais de 124 mil processos pendentes

De acordo com dados obtidos pelo jornal DN Brasil, à data de 7 de janeiro de 2026 estavam pendentes cerca de 124.793 processos contra a AIMA nos tribunais administrativos.

As ações envolvem diferentes tipos de litígios relacionados com imigração, incluindo:

  • atrasos na decisão de pedidos de autorização de residência;
  • renovações de títulos de residência;
  • reagrupamento familiar;
  • outros direitos dos imigrantes previstos na lei portuguesa.

O volume acumulado reflete anos de incapacidade administrativa de resposta, especialmente após a extinção do SEF e a criação da AIMA.

Concurso nacional e metas obrigatórias

O concurso terá caráter nacional e urgente. Os magistrados selecionados trabalharão por um período inicial de três meses, prorrogável uma única vez por igual período.

Segundo o CSTAF, serão definidos:

  • objetivos mensais de decisão;
  • critérios objetivos de seleção de processos;
  • mecanismos permanentes de acompanhamento de desempenho.

Cada juiz ou juíza ficará responsável, em regime de acumulação, por um número elevado de processos, com metas mínimas obrigatórias de decisões.

O plano prevê ainda:

  • envolvimento das unidades orgânicas dos tribunais administrativos e fiscais em regime de trabalho suplementar;
  • apoio pontual do Supremo Tribunal Administrativo, quando necessário.

Tentativa de resposta a uma dependência crônica

Em comunicado, o CSTAF afirma que a medida pretende “resolver uma situação de dependência crônica, reforçar a capacidade de resposta da jurisdição administrativa e fiscal e assegurar uma tutela mais célere e efetiva dos direitos fundamentais dos cidadãos”.

A explosão de processos contra a AIMA se tornou evidente a partir do verão de 2024, quando milhares de imigrantes passaram a recorrer aos tribunais como única forma de garantir direitos diante da ausência de resposta administrativa.

Mudanças legais tentaram travar ações judiciais

O aumento das ações judiciais foi um dos fatores que levaram o Governo a alterar a legislação de imigração, restringindo o acesso aos tribunais administrativos.

Desde outubro do ano passado, entraram em vigor mudanças na Lei dos Estrangeiros, incluindo:

Mesmo com essas alterações, o número de processos acumulados manteve-se elevado, levando agora à solução excepcional adotada pelo CSTAF.

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