O salário mínimo na Europa em 2026 volta ao centro do debate econômico e migratório após um período marcado por forte inflação e perda de poder de compra.
Países como Portugal, Alemanha, Irlanda e Reino Unido já confirmaram aumentos, enquanto Espanha e França mantêm pisos elevados em comparação com o restante do continente.
Para quem observa a Europa como destino de imigração ou trabalho, o salário mínimo continua a ser um indicador relevante,mas longe de ser suficiente.
O valor real depende de fatores como custo de vida, inflação local, carga tributária e acesso efetivo ao mercado de trabalho.
Recuperação dos salários após a inflação
Estudos recentes indicam que 2026 deverá apresentar crescimento mais consistente dos salários reais do que 2025, refletindo uma recuperação gradual após o choque inflacionário de 2022 e 2023.
Segundo o relatório Salary Trends 2025–26, da European Compensation Advisory, países como França, Alemanha, Itália e Reino Unido devem registrar ganhos reais acima da inflação, ainda que em ritmos distintos.
Já na Europa Oriental, como Hungria, Polônia e Bulgária, os aumentos percentuais tendem a ser mais elevados, embora partam de bases salariais bem inferiores.
A análise ouviu cerca de 200 multinacionais entre agosto e outubro de 2025 e cruzou os dados com projeções do Fundo Monetário Internacional.
Portugal: aumento gradual, mas piso segue baixo
Portugal iniciou 2026 com o salário mínimo nacional fixado em 920 euros brutos por mês, pagos em 14 parcelas. O aumento de 50 euros em relação a 2025 faz parte de um acordo plurianual que prevê atingir 1.100 euros até 2029.
Apesar do reajuste, o salário mínimo português continua entre os mais baixos da zona do euro, especialmente quando se considera o custo de vida nas grandes cidades e o impacto dos descontos de IRS e Segurança Social. O valor também não inclui subsídio de alimentação ou outros complementos comuns.
Espanha: um dos pisos mais altos do sul da Europa
Na Espanha, o Salario Mínimo Interprofesional (SMI) está fixado em 1.184 euros brutos por mês, pagos em 14 parcelas. Quando convertido para contratos com 12 pagamentos anuais, o valor mensal pode ultrapassar 1.380 euros.
Especialistas projetam novo aumento ao longo de 2026, com propostas que variam entre 1.221 e 1.273 euros mensais, dependendo do acordo entre governo, sindicatos e empregadores.
Alemanha: salário mínimo por hora cresce acima da média
A Alemanha adota um salário mínimo horário. Desde janeiro de 2026, o Mindestlohn passou para 13,90 euros por hora, representando um aumento de cerca de 8,4% em relação a 2025.
Em contratos de 40 horas semanais, esse valor pode resultar em rendimentos brutos mensais superiores a 2.400 euros, embora o montante final dependa da carga horária e da tributação.
França: SMIC permanece elevado
Na França, o salário mínimo, conhecido como SMIC, equivale a 1.801,80 euros brutos mensais para uma jornada de 35 horas semanais. O valor líquido gira em torno de 1.426 euros.
O sistema francês prevê reajustes automáticos com base na inflação e na evolução dos salários mais baixos, o que tende a gerar novos aumentos ao longo de 2026.
Reino Unido: valores por hora variam por idade
No Reino Unido, o salário mínimo é definido por hora e varia conforme a idade. A National Living Wage, aplicada a trabalhadores adultos, deve alcançar cerca de 12,71 libras por hora a partir de abril de 2026.
Como não existe piso mensal fixo, o rendimento depende do número de horas trabalhadas. Em regiões como Londres, o alto custo de vida pode reduzir significativamente o poder de compra.
Irlanda: destaque entre os maiores salários mínimos
A Irlanda segue entre os países com o salário mínimo mais elevado da União Europeia. Em 2026, o piso nacional passou para 14,15 euros por hora para trabalhadores com 20 anos ou mais.
Em jornadas completas, isso pode representar mais de 2.450 euros brutos mensais, embora o país também enfrente um dos mercados imobiliários mais caros da Europa.
Diferenças regionais e desafios estruturais
Os salários mínimos mais altos continuam concentrados na Europa Ocidental — com destaque para Luxemburgo, Irlanda, Alemanha, França e Países Baixos. Já países do sul e do leste europeu, como Portugal, Grécia, Bulgária e Romênia, mantêm pisos significativamente menores.
Especialistas alertam que aumentos salariais nem sempre resultam em maior poder de compra. Fatores como produtividade estagnada, dívida pública elevada e receio de reacender a inflação limitam reajustes mais agressivos nas grandes economias.
O que o salário mínimo significa para quem quer migrar
Para brasileiros que planejam migrar, o salário mínimo na Europa em 2026 deve ser visto como um piso de referência, não como garantia de qualidade de vida.
Países com salários mínimos mais altos também costumam apresentar custos elevados de habitação, alimentação e transporte. Além disso, o valor do piso influencia as exigências legais para vistos, autorizações de residência e reagrupamento familiar.
Sendo assim, recomendamos que você analise três pontos:
- valor do salário mínimo;
- custo de vida regional;
- acesso real ao mercado de trabalho, incluindo idioma e reconhecimento profissional.