Acordo Mercosul-UE cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e pode baratear produtos no Brasil

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado e promete criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O tratado pode reduzir tarifas, ampliar exportações brasileiras e tornar produtos importados mais baratos no país, embora seus efeitos dependam de ratificação e implementação gradual.

Após mais de 25 anos de negociações, representantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e da União Europeia – UE assinaram neste sábado (17) um acordo de livre comércio que promete transformar a relação comercial entre os dois blocos e aproximar economicamente os dois lados do Atlântico.

O tratado foi formalizado em uma cerimônia em Assunção, capital do Paraguai, onde também estão guardadas as origens históricas do Mercosul, e reúne um mercado estimado em cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de mais de US$ 22 trilhões.

As lideranças que participaram do evento descreveram o momento como um marco histórico na integração econômica global.

O que é o acordo Mercosul-UE?

O tratado de livre comércio assinado no Paraguai elimina ou reduz gradualmente tarifas sobre a maior parte dos bens comercializados entre os blocos e estabelece um conjunto de regras para facilitar o comércio e o investimento entre Mercosul e UE.

Segundo os governos envolvidos, o acordo deve:

  • Eliminar tarifas para 92% das exportações do Mercosul para a UE, o que abrange cerca de US$ 61 bilhões em produtos.

  • Conceder acesso preferencial a outros 7,5% dos produtos negociados.

  • Aumentar o acesso do Brasil ao comércio mundial de 8% para 36%, especialmente pelas exportações para o bloco europeu.

O acordo é considerado um dos maiores da história do Mercosul em termos de acesso a mercados e reúne um dos maiores mercados consumidores do planeta.

O que pode ficar mais barato no Brasil?

Uma das partes que mais chama atenção dos consumidores é o potencial barateamento de produtos importados devido à redução de tarifas de importação, mas isso não acontecerá da noite para o dia.

Produtos que podem ficar mais acessíveis ao longo do tempo

Alimentos importados e bebidas

  • Vinhos

  • Azeites

  • Queijos e outros produtos lácteos
    Esses itens, hoje caros no Brasil em parte por causa de tarifas elevadas, podem ter preços menores à medida que o acordo for implementado.

Chocolates e produtos premium
Marcas que eram pouco comuns ou caras no Brasil podem chegar ao país com mais facilidade e preços mais competitivos.

Veículos, medicamentos e tecnologia
Reduções tarifárias podem tornar importados como automóveis europeus, medicamentos e equipamentos tecnológicos mais acessíveis ao consumidor brasileiro, embora o impacto dependa da velocidade de implementação e de outros fatores econômicos.

Especialistas também destacam que esse tipo de redução não depende apenas das tarifas: taxa de câmbio, custos de transporte e políticas internas também influenciam o preço final dos produtos.

E as exportações brasileiras?

O acordo não favorece apenas as importações. A expectativa é que o agronegócio brasileiro, setores como carnes, grãos e calçados, também ganhe acesso facilitado ao mercado europeu com tarifas menores e cotas ampliadas.

Dados da Confederação Nacional da Indústria – CNI mostram que o tratado pode ser uma virada estratégica para a indústria brasileira ao ampliar sua presença no comércio mundial e atrair investimentos.

O que disseram os líderes?

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e que ele pode gerar empregos e prosperidade em ambos os blocos.

Representantes do Mercosul destacaram a importância de expandir mercados e fortalecer relações econômicas, e classificaram o tratado como um passo histórico para aumentar o intercâmbio entre países da América do Sul e da Europa.

O que ainda falta para o acordo valer?

Apesar da assinatura, o tratado ainda não está em vigor. Ele precisa ser ratificado pelos parlamentos europeus e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul, e esse processo pode levar anos e enfrentar debates e ajustes.

Organizações de agricultores no mercado europeu e setores industriais em vários países têm argumentado contra o acordo ou pedido condições específicas de proteção, principalmente por causa de preocupações com competição e padrões de produção.

A assinatura do acordo Mercosul-UE marca um momento histórico para o comércio internacional e a economia brasileira, e pode trazer benefícios concretos ao consumidor e às empresas do país. No entanto, seus efeitos serão graduais, dependerão de ratificações legislativas e de fatores econômicos globais.

Leia mais: União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul após anos de negociações

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