As pesquisas de boca de urna divulgadas na segunda-feira (23) já indicavam o cenário que se confirmaria horas depois: a rejeição da reforma do Judiciário e a primeira grande derrota política da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Os levantamentos apontavam vantagem do “não”, ainda que dentro da margem de erro, sinalizando um resultado apertado. Com a apuração oficial concluída, a tendência se confirmou, consolidando o revés do governo no referendo realizado na Itália.
Sinal de alerta antes do resultado
As projeções iniciais já eram vistas como um sinal de alerta para o governo. Mesmo sem cravar uma vitória ampla, a dianteira do “não” indicava dificuldade da campanha governista em convencer o eleitorado.
Além disso, o alto comparecimento, acima de 58%, reforçou a leitura de que o referendo deixou de ser apenas técnico e passou a funcionar como um teste político para o governo.
Mobilização da oposição
A boca de urna também refletiu a forte mobilização de eleitores contrários à proposta, especialmente em regiões historicamente alinhadas à esquerda.
Esse movimento foi decisivo para ampliar a vantagem do “não” ao longo da apuração, transformando o que parecia uma disputa equilibrada em uma derrota clara para o governo.
Referendo virou plebiscito
Analistas apontam que o resultado foi influenciado pela percepção de que a votação representava mais do que uma reforma institucional. Para parte do eleitorado, tratava-se de um julgamento direto do governo Meloni.
A leitura política do referendo foi reforçada pela própria campanha, marcada por forte envolvimento da premiê e de seus aliados.
Impacto político
A confirmação do resultado consolidou o primeiro grande revés do governo desde a chegada de Meloni ao poder. A proposta, considerada uma das principais bandeiras da gestão, foi rejeitada pela maioria dos eleitores.
O episódio também evidencia limites da estratégia do governo e pode influenciar os próximos movimentos políticos no país, especialmente na relação com o Parlamento e com o Judiciário.
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