Quando o frio chega ao Brasil, muita gente já sabe o que vai para a mesa: sopa bem quentinha, como caldo verde, canja de galinha, sopa de feijão e até macarrão! Na Itália, o movimento é parecido, mas as receitas variam de acordo com a região e têm origem histórica bem definida.
No país europeu, o inverno é mais rigoroso principalmente no norte, onde cidades registram temperaturas próximas de 0 °C. Isso influencia diretamente o tipo de sopa consumida.
Minestrone: a sopa mais difundida
A Minestrone é considerada uma das sopas mais tradicionais da Itália e está presente em praticamente todo o território. A base leva feijão, cenoura, salsão, batata, tomate e abobrinha. Em muitas versões, acrescenta-se massa curta ou arroz.
Apesar de ser consumida o ano inteiro, seu preparo aumenta no inverno por ser um prato completo e mais consistente.
Ribollita e a tradição toscana
Na região da Toscana, a sopa de inverno mais emblemática é a Ribollita. Feita com feijão branco, couve preta (cavolo nero) e pão toscano sem sal, ela surgiu na Idade Média como forma de reaproveitamento alimentar. O nome significa literalmente “fervida novamente”, já que era reaquecida no dia seguinte.
Hoje, é presença constante no inverno da região.
Zuppa di farro e sopas antigas
Na Úmbria e na Toscana, também é comum a Zuppa di farro, preparada com farro (um tipo antigo de trigo), legumes e, às vezes, carne. O ingrediente principal já era consumido pelos romanos na Antiguidade.
Sopas reforçadas no norte
Em regiões frias como a Lombardia, aparecem versões mais substanciosas, como a Zuppa alla Pavese, feita com caldo de carne, pão, ovo e queijo.
Já no Vale d’Aosta, área alpina, são comuns sopas com queijo fontina e pão, adequadas ao inverno de montanha.
Diferença climática influencia o cardápio
No sul do país, como na Sicília, onde o inverno é mais ameno, predominam sopas à base de lentilha, grão-de-bico e legumes frescos, geralmente mais leves do que as versões reforçadas do norte. Ainda assim, a sopa mantém lugar garantido à mesa. Se o ditado popular diz que “tudo acaba em pizza”, no inverno de quase todo o mundo talvez fosse mais correto afirmar: tudo acaba em sopa.
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