A implementação do novo sistema europeu de controle de fronteiras está longe de ser uniforme. Relatos recentes mostram que o sistema EES Itália aeroportos ainda gera experiências inconsistentes para passageiros — especialmente estrangeiros residentes.
A frase que melhor resume o momento é direta: “Tudo depende de quem atende”.
O sistema, conhecido como Entry Exit System (EES), está sendo implementado em toda a União Europeia e substitui o carimbo manual no passaporte por um registo biométrico digital.
Na Itália, o processo começou em outubro de 2024 e deve ser concluído até abril de 2026.
Aplicação irregular gera confusão
Apesar de ser um sistema padronizado a nível europeu, a aplicação prática ainda varia bastante entre aeroportos — e até entre agentes no mesmo local.
No aeroporto de Aeroporto de Roma Fiumicino, uma residente relatou ter enfrentado uma fila de 20 minutos para coleta biométrica, mesmo tendo direito à isenção.
Em outra viagem, no mesmo aeroporto, conseguiu passar sem dificuldades. A diferença? A interpretação do agente.
Residentes enfrentam mais dificuldades
Os relatos mais críticos vêm de estrangeiros que vivem na Itália.
Um residente britânico em Bolonha afirmou que foi direcionado à fila geral ao viajar via Veneza, enfrentando um processo mais lento do que turistas.
Na Sicília, outro residente relatou que agentes desconheciam regras básicas do sistema, como a isenção para determinados tipos de residentes. Esses casos indicam falta de padronização e treinamento.
Falhas técnicas agravam a situação
Além da inconsistência humana, problemas técnicos também são frequentes.
No aeroporto de Palermo, passageiros relataram:
- Máquinas fora de funcionamento
- Necessidade de passar por controle duplo (digital + manual)
Em Gênova, um viajante afirmou que teve de recorrer ao atendimento manual após falhas repetidas no sistema. Já em outras localidades, houve atrasos significativos devido à leitura incorreta de documentos.
Erros no registo de dados preocupam
Um dos pontos mais sensíveis envolve falhas no registo de entradas e saídas.
Um residente relatou que, ao passar por Turim, seus movimentos não foram registados corretamente, exigindo intervenção manual. Esse tipo de erro pode gerar problemas futuros, como:
- Indicação falsa de excesso de permanência
- Dificuldades em viagens futuras
- Possíveis sanções migratórias
Nem tudo é, de fato, ruim
Apesar das falhas, há também relatos positivos.
Em Verona, um residente afirmou que conseguiu utilizar os portões automáticos normalmente, com validação rápida por um agente.
Outro passageiro relatou que o processo pode levar menos de um minuto quando o sistema funciona corretamente.
Sistema ainda em fase de adaptação
A Comissão Europeia já reconheceu que o EES está em fase de implementação progressiva.
Entre os desafios identificados estão:
- Falta de padronização entre países
- Treinamento insuficiente de agentes
- Problemas técnicos em equipamentos
- Gestão de filas em períodos de alta demanda
Impacto para viajantes
Para quem viaja com frequência para a Europa, principalmente os brasileiros, o cenário exige atenção.
O EES afeta diretamente turistas, estudantes, trabalhadores e residentes estrangeiros, e será fundamental para o controle da regra dos 90 dias no Espaço Schengen.
Uma transição ainda longe do ideal
O sistema EES Itália aeroportos representa uma mudança profunda na forma como a Europa controla suas fronteiras.
No entanto, os relatos mostram que a transição ainda está longe de ser perfeita.
Entre tecnologia, burocracia e fator humano, o novo sistema ainda precisa encontrar equilíbrio antes de cumprir a promessa de tornar o controle de fronteiras mais rápido, seguro e eficiente.