A imigração de pessoas qualificadas em Portugal deixou de ser vista apenas como um desafio social ou administrativo e passou a ocupar um lugar central no debate econômico do país.
Estudos recentes apontam que a entrada de trabalhadores estrangeiros com formação técnica e superior tem contribuído de forma decisiva para o crescimento econômico, o equilíbrio das contas públicas e a sustentabilidade do sistema de pensões.
Entre os trabalhos que reforçam essa visão está o relatório The Next Mindset: Mobilidade Humana, da consultoria LLYC, que analisou dados econômicos, demográficos e institucionais de vários países europeus e das Américas.
A conclusão é clara: Portugal está entre os países onde a imigração gera os maiores benefícios econômicos.
Portugal entre os países onde a imigração mais impulsiona a economia
De acordo com o estudo, 71,7% das análises realizadas por modelos de inteligência artificial classificaram o impacto econômico da imigração em Portugal como positivo, o índice mais elevado entre os países avaliados.
O resultado reflete a capacidade do país de atrair e integrar trabalhadores estrangeiros em setores-chave como tecnologia, saúde, engenharia, turismo, agricultura e logística.
Essa percepção não se limita a análises privadas. Dados da Comissão Europeia mostram que 68% dos portugueses reconhecem que os imigrantes têm uma contribuição importante para a economia nacional, sobretudo no reforço da produtividade e na mitigação da escassez de mão de obra.
Contribuição direta para a Segurança Social
Os números oficiais citados no estudo da LLYC reforçam o impacto positivo da imigração qualificada. Em 2023, trabalhadores estrangeiros contribuíram com cerca de 2,7 bilhões de euros para a Segurança Social, enquanto receberam apenas 480 milhões de euros em prestações sociais.
Na prática, isso representa um saldo positivo de aproximadamente 2,2 bilhões de euros, valor fundamental para um país que enfrenta baixa natalidade e envelhecimento acelerado da população.
Os imigrantes, em sua maioria jovens e economicamente ativos, pagam mais impostos e contribuições do que recebem em benefícios.
Imigração como resposta ao envelhecimento populacional
Portugal é um dos países mais envelhecidos da Europa. Desde 2009, o país registra mais mortes do que nascimentos, o que reduz a base de contribuintes e aumenta a pressão sobre o sistema de pensões e os serviços públicos.
Segundo dados do Eurostat, a idade média da população portuguesa é de 46,8 anos, acima da média da União Europeia.
Nesse contexto, a imigração tornou-se uma das principais ferramentas para equilibrar a força de trabalho e garantir a sustentabilidade do Estado social.
Análises do Banco de Portugal e da OCDE confirmam que a entrada de trabalhadores estrangeiros é essencial para compensar a redução da população ativa e assegurar o financiamento de pensões, saúde e educação.