A Itália adotou mudanças significativas nas normas de transporte aéreo de animais de estimação, permitindo que cães de porte médio e grande possam viajar dentro da cabine, junto de seus donos, em vez de serem obrigatoriamente despachados no porão do avião, uma área tradicionalmente associada a maior estresse e riscos para os animais.
A nova abordagem faz parte de uma atualização das diretrizes da Autoridade de Aviação Civil Italiana – ENAC, que revisou os parâmetros para transporte de pets nas aeronaves. Testes e voos-demonstrativos foram realizados com cães de maior porte, demonstrando que é possível acomodá-los com segurança na cabine, sempre respeitando requisitos de bem-estar animal e segurança operacional.
O que mudou na prática
Antes da mudança, a maior parte das companhias aéreas europeias só permitia cães pequenos, geralmente com menos de 8 kg, incluindo o transportador, na cabine, sob o assento do passageiro. Animais maiores precisavam viajar no porão, mesmo em voos internos ou curtos.
Com a alteração:
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Animais de médio e grande porte podem embarcar na cabine em voos domésticos italianos se acomodados em transportadores apropriados e seguindo normas de segurança;
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As regras fixadas por ENAC permitem que o peso combinado de cão e transportador seja maior que os limites anteriores, desde que compatível com o peso de um passageiro e as exigências de segurança;
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As companhias aéreas têm liberdade para adotar ou adaptar essas normas em seus procedimentos próprios, o que pode levar a diferenças de implementação entre empresas.
Em setembro de 2025, a ITA Airways realizou um voo demonstrativo entre Milão e Roma com cães maiores na cabine, reforçando a viabilidade e o interesse em testar esse novo modelo de transporte.
Expectativas e limitações atuais
Embora as normas tenham sido atualizadas, nem todas as companhias adaptaram imediatamente suas políticas internas. Isso significa que, na prática, a permissão de cães de grande porte na cabine ainda depende da política de cada empresa aérea e das condições específicas de cada voo.
Especialistas em bem-estar animal lembram que, mesmo com a possibilidade legal, o embarque de cães grandes na cabine requer planejamento prévio, verificação de requisitos de peso e espaço, e comunicação com a companhia antes da compra da passagem.
Repercussão e tendências
Organizações de proteção animal celebraram a iniciativa da Itália, que segue uma tendência global de tornar a aviação mais pet-friendly. A mudança vem em um momento em que o transporte de animais de estimação representa um crescimento nas preferências de viagem de muitos passageiros, influenciado também pelo que o setor chama de “pawprint economy”, a expansão de serviços voltados para donos de pets no setor de viagens.
Entretanto, grupos contrários à medida têm apontado desafios práticos, como a logística de acomodar animais maiores em espaços reduzidos e as possíveis interações entre passageiros com alergias ou medo de cães.
O que os passageiros devem saber
Passageiros interessados em viajar com cães de maior porte na cabine devem:
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Verificar diretamente com a companhia aérea se a política foi atualizada em conformidade com as novas normas;
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Confirmar limites de peso e dimensões do transportador aceitos;
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Entrar em contato com a companhia com antecedência para reservar a acomodação do animal;
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Seguir requisitos de saúde, microchip, vacinação e documentos exigidos para transporte internacional, se aplicável.
Apesar de não ser uma mudança automática em todas as rotas e companhias, a nova regra italiana representa um passo importante na evolução das viagens aéreas com animais de estimação, buscando equilibrar bem-estar pet e segurança dos passageiros.
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