Itália avança no combate à pirataria digital e passa a investigar usuários

A Itália deu um passo histórico no combate à pirataria digital ao realizar uma grande operação contra redes ilegais de streaming. Pela primeira vez, além dos organizadores, usuários que consumiam conteúdo pirateado também entraram no radar das autoridades, marcando uma mudança significativa na estratégia contra crimes digitais no país.

Em uma ação considerada um marco no enfrentamento à pirataria online na Europa, autoridades italianas desencadearam uma grande operação contra redes ilegais de transmissão de conteúdos protegidos por direitos autorais, com um desdobramento importante: pela primeira vez, usuários que acessavam esses serviços também estão sendo alvos de investigação.

A ofensiva, conduzida pela Justiça italiana com apoio de agências policiais nacionais e internacionais, teve como foco principal desmontar uma organização criminosa transnacional que oferecia acesso ilegal a filmes, séries, eventos esportivos e outros conteúdos protegidos, por meio de redes de streaming pirateadas. Estima-se que essa estrutura oferecia serviços ilegais a mais de 22 milhões de usuários na Itália e em outros países europeus, gerando receitas ilícitas expressivas e causando prejuízos significativos às empresas de mídia e entretenimento.

O que torna a operação especial?

Tradicionalmente, operações contra pirataria miram os responsáveis por criar e manter serviços ilegais, como servidores de IPTV (Internet Protocol Television), sites e aplicativos que retransmitem conteúdos sem autorização. No entanto, desta vez, as autoridades italianas também identificaram e passaram a investigar usuários individuais que acessavam estes serviços, uma medida que funciona como alerta para o público: consumir conteúdo pirateado pode ter consequências legais.

Esse novo enfoque decorre de mudanças recentes na legislação italiana e em instrumentos técnicos que facilitam a identificação de quem usa esses sistemas ilegais, algo que até então era considerado um desafio técnico para os investigadores.

Coordenação Internacional e Impacto Econômico

A operação, intitulada “Taken Down”, contou com a participação de órgãos de justiça de vários países europeus e da cooperação de entidades como Europol e Eurojust. No total, mais de 100 pessoas foram alvo de mandados de busca e investigação, e centenas de servidores e canais de distribuição de conteúdo ilegal foram desativados.

Especialistas ressaltam que as piratarias de áudio, vídeo e eventos ao vivo não são apenas uma questão de violação de direitos autorais, elas têm impactos econômicos relevantes, prejudicando direitos de empresas, criadores de conteúdo e até empregos no setor cultural. Em 2024, por exemplo, cerca de 38% da população adulta italiana admitiu ter acessado conteúdo pirateado pelo menos uma vez ao longo do ano, resultando em perdas estimadas de cerca de 2,2 bilhões de euros para a economia local.

Alerta para o consumidor

Com essa nova fase das ações contra a pirataria, o governo e os órgãos de fiscalização italianos pretendem enviar uma mensagem clara: além de apoiar os direitos autorais e a economia criativa, o combate à pirataria agora se volta também a quem consome o conteúdo de forma ilegal, uma virada significativa na estratégia de enforcement.

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