A pequena cidade de Niscemi, na província de Caltanissetta, Sicília, vive um dos momentos mais críticos de sua história recente após um enorme deslizamento de terra que ameaça parte do centro urbano e impõe decisões drásticas sobre o futuro de centenas de imóveis e famílias.
O fenômeno geológico foi desencadeado por fortes chuvas associadas ao ciclone Harry, que nos últimos dias provocou mau tempo intenso em várias partes do sul da Itália, saturando o solo e reativando fraturas antigas.
Terreno instável transforma bairros em zona de risco
O deslizamento começou em meados de janeiro e se estendeu por cerca de 4 quilômetros, criando uma grande área de instabilidade no terreno que sustenta parte da cidade. Por precaução, cerca de 1.500 moradores foram evacuados, e uma zona vermelha de risco permanente foi definida pelas autoridades de proteção civil.
Na prática, essa área é considerada insegura para habitação, porque o solo, composto por camadas de areia, argila e sedimentos, continua a se mover em direção à planície abaixo.
Casas que não poderão mais ser habitadas
Após análises técnicas realizadas por especialistas da Proteção Civil e da Região da Sicília, 137 edificações construídas próximas ao limite instável da encosta foram consideradas perigosas e destinadas à demolição. Essas construções não podem ser recuperadas com segurança e oferecem risco real de colapso.
A decisão envolve tanto imóveis privados quanto alguns prédios públicos, e marca uma fase delicada na resposta ao desastre. Moradores que permanecem fora de suas casas ainda não sabem exatamente quando poderão retornar a uma vida normal.
Investigações penais para apurar responsabilidades
Paralelamente às operações de emergência, a Procuradoria de Gela abriu um inquérito penal para investigar possíveis falhas ou omissões na gestão e no planejamento urbano que permitiram o desenvolvimento de áreas de risco.
O uso de tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial para cruzar dados técnicos, relatórios históricos e imagens de satélite está sendo aplicado para entender se o deslizamento poderia ter sido previsto ou evitado, ou se houve negligência ao longo dos anos.
Autoridades judiciais afirmam que não serão concedidos atenuantes a ninguém e que qualquer falha comprovada poderá resultar em responsabilização dos responsáveis por práticas administrativas ou urbanísticas inadequadas.
Situação social e resposta das autoridades
A dimensão do impacto social é significativa: famílias foram deslocadas, escolas foram adaptadas para abrigar estudantes e serviços básicos foram reorganizados. O governo italiano também declarou medidas de emergência e está avaliando apoio financeiro para residentes e negócios afetados.
O presidente da Região Siciliana e membros da Proteção Civil visitaram a área para acompanhar de perto a situação, que continua sob monitoramento constante devido à instabilidade do solo.
A tragédia em Niscemi expõe um problema ainda mais amplo enfrentado por muitas cidades construídas em áreas suscetíveis a deslizamentos: a necessidade de planejamento urbano baseado em estudos geológicos robustos e ações preventivas contínuas.
Com 137 casas marcadas para remoção e uma investigação em andamento, a cidade enfrenta agora o desafio de reconstruir sua vida comunitária, aprender com o passado e tentar evitar que outro desastre similar volte a ameaçar seu território.
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