Durante anos, Portugal e Itália dominaram o imaginário dos brasileiros que sonhavam em viver na Europa. No entanto, em 2026, esse roteiro migratório começou a mudar de forma clara: a Espanha passou a ser o destino mais desejado por quem busca qualidade de vida, segurança jurídica e vantagens econômicas.
O fenômeno não é isolado. Ele reflete transformações nas políticas migratórias, no custo de vida e no perfil do brasileiro que decide atravessar o Atlântico.
Mudança de rota: por que Portugal e Itália perderam espaço
Portugal sempre foi a porta de entrada natural, graças ao idioma e à facilidade de adaptação. A Itália, por sua vez, atraiu gerações de descendentes em busca da cidadania europeia.
Mas o cenário atual é outro.
Em Portugal, o aumento do custo de moradia, o fim de benefícios fiscais e a sobrecarga dos serviços migratórios tornaram o processo mais lento e caro. Já a Itália segue enfrentando entraves burocráticos, prazos imprevisíveis e dificuldades para quem não possui cidadania reconhecida.
Nesse contexto, a Espanha surge como uma alternativa mais pragmática e menos idealizada.
Visto de nômade digital: o grande diferencial espanhol
Um dos principais fatores por trás dessa mudança é o visto para nômades digitais espanhol, que se consolidou como um dos mais competitivos da Europa.
O programa atende profissionais que trabalham remotamente para empresas estrangeiras ou como autônomos, oferecendo:
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Processo mais rápido;
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Exigências financeiras claras;
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Possibilidade de residência legal desde o início.
Para brasileiros que ganham em moeda estrangeira, isso representa menos risco e mais previsibilidade, algo cada vez mais valorizado.
Tributação mais atraente com a “Lei Beckham”
Outro ponto decisivo é o regime fiscal especial conhecido como Lei Beckham. Ele permite que estrangeiros qualificados paguem uma alíquota fixa de imposto, em vez de enfrentar o sistema progressivo tradicional.
Na prática, isso significa:
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Menos impacto da carga tributária;
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Melhor planejamento financeiro;
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Maior competitividade para profissionais internacionais.
Esse modelo tem pesado na balança quando comparado aos sistemas tributários português e italiano, considerados mais complexos e onerosos para quem trabalha remotamente.
Custo de vida e qualidade urbana
Embora grandes centros como Madrid e Barcelona tenham custos elevados, a Espanha oferece uma diversidade de cidades médias com excelente infraestrutura, transporte eficiente e serviços públicos de qualidade.
Em comparação com Lisboa ou Roma, muitas cidades espanholas conseguem equilibrar:
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Aluguel mais acessível;
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Boa oferta cultural;
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Clima agradável;
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Segurança urbana.
Um novo perfil de imigrante brasileiro
O brasileiro que escolhe a Espanha em 2026 não busca apenas “morar fora”. Ele quer:
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Legalidade desde o primeiro dia;
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Estabilidade fiscal;
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Possibilidade de mobilidade dentro da União Europeia;
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Qualidade de vida real, e não apenas simbólica.
Esse perfil mais estratégico ajuda a explicar por que a Espanha passou a ser a primeira escolha de país no mapa migratório.
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