Preços da habitação sobem 17,7% e movimentam 10,5 bilhões de euros em Portugal

Os preços da habitação em Portugal aumentaram 17,7% no terceiro trimestre, impulsionados principalmente pelas casas usadas. O valor total das transações chegou a 10,5 bilhões de euros, de acordo com dados do INE

Os preços da habitação em Portugal mantiveram uma trajetória de forte alta no terceiro trimestre do ano. 

De acordo com dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o Índice de Preços da Habitação (IPHab) subiu 17,7% entre julho e setembro, acelerando 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

Segundo o instituto, o aumento foi puxado principalmente pelas habitações existentes, que registaram uma valorização de 19,1%, enquanto os preços das habitações novas subiram 14,1% no mesmo período.

Alta continua no curto prazo

Na comparação trimestral, ou seja, em relação aos três meses anteriores, o IPHab avançou 4,1%, embora abaixo do crescimento de 4,7% registado no segundo trimestre. As casas usadas tiveram um aumento de 4,5%, enquanto as novas registaram uma variação de 2,9%.

Apesar da desaceleração no ritmo trimestral, os números confirmam que o mercado imobiliário português continua sob forte pressão de preços, sobretudo no segmento de imóveis já existentes.

Volume de transações ultrapassa 10 bilhões de euros

Entre julho e setembro, foram transacionadas 42.481 habitações, movimentando cerca de 10,5 bilhões de euros. Em relação ao trimestre anterior, houve uma desaceleração tanto no número de negócios (queda de 15,5%) quanto no valor transacionado (redução de 30,4%).

Ainda assim, na comparação com o mesmo período do ano passado, o valor total das transações foi 16% superior, indicando que o mercado continua aquecido em termos anuais.

Casas usadas dominam o mercado

As habitações existentes representaram 80,5% do total das transações no terceiro trimestre, com 34.208 unidades vendidas. Esse volume corresponde a um crescimento homólogo de 5,9% face ao mesmo período de 2024.

Já as 8.273 habitações novas comercializadas no período registaram uma queda homóloga de 3,8%, sinalizando menor oferta ou maior dificuldade de acesso a imóveis recém-construídos.

Em termos financeiros, o valor das transações de casas usadas atingiu cerca de 7,8 bilhões de euros, uma subida de 21,1% em relação ao ano anterior. No caso das habitações novas, o montante chegou a 2,7 bilhões de euros, com um crescimento mais moderado, de 3,3%.

Famílias lideram as compras

As famílias foram, de longe, as principais compradoras de imóveis em Portugal no terceiro trimestre, respondendo por 88,3% das transações. Ao todo, 37.507 habitações adquiridas por famílias movimentaram cerca de 9,2 bilhões de euros.

Em termos homólogos, as aquisições feitas por famílias cresceram 5,8% em número e 18,8% em valor, reforçando o peso do consumo interno no dinamismo do mercado imobiliário.

Pressão sobre acesso à habitação

Os dados do INE reforçam as preocupações já existentes quanto ao acesso à habitação em Portugal, especialmente para jovens, imigrantes e famílias de renda média. 

A forte valorização das casas usadas, combinada com a redução relativa da oferta de imóveis novos, tem contribuído para o aumento dos preços tanto na compra quanto no arrendamento.

Especialistas apontam que fatores como escassez de oferta, procura externa, crescimento populacional nas grandes cidades e custos elevados de construção continuam a pressionar o mercado, mantendo os preços em níveis historicamente altos.

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