Uma nova regra migratória do Reino Unido, em vigor desde 25 de fevereiro de 2026, passou a gerar controvérsia e preocupação entre cidadãos com dupla cidadania, ao exigir que britânicos que também possuem outra nacionalidade embarquem para o país apenas com um passaporte britânico válido. Sem o documento apropriado, viajantes podem ter embarque negado ou enfrentar restrições em fronteiras, segundo autoridades e especialistas em imigração.
O que mudou nas regras de entrada
Até o início de 2026, cidadãos britânicos que também detinham outra nacionalidade podiam entrar no Reino Unido utilizando o passaporte de outro país, por exemplo, um cidadão ítalo-britânico usando apenas o passaporte italiano. Essa flexibilidade foi substituída por um novo procedimento de controle sob o guarda-chuva do Electronic Travel Authorisation (ETA), uma autorização de viagem eletrônica exigida de viajantes de países que não precisam de visto.
Sob as regras atualizadas, quem tem dupla cidadania e deseja entrar no Reino Unido deve apresentar obrigatoriamente:
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Passaporte britânico válido, ou
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Certificate of Entitlement (Certificado de Direito de Residência) anexado a outro passaporte, que comprova o direito de morar no Reino Unido e custa cerca de £589 (aproximadamente R$ 4.000).
A exigência é aplicável a viajantes que chegam por via aérea, ferroviária ou marítima, e transportadoras agora verificam o documento antes do embarque. Sem ele, podem negar a viagem ou enfrentar multas.
Por que a mudança foi implementada
O governo britânico afirma que a atualização faz parte de um processo de digitalização e modernização dos controles migratórios, buscando maior segurança e eficiência no sistema de fronteiras. A nova abordagem visa garantir que todos os viajantes tenham a permissão adequada antes da partida, de modo semelhante a sistemas de autorização prévia como o ESTA dos Estados Unidos ou o ETIAS da União Europeia, ainda em introdução progressiva.
Segundo o ministro responsável pela migração, essas medidas tornam a entrada mais segura e previsível: “O sistema de autorizações eletrônicas é crucial para fortalecer a segurança das fronteiras britânicas e oferecer um serviço mais eficiente para visitantes e cidadãos”, afirmou em comunicado oficial.
Impactos práticos para cidadãos com dupla nacionalidade
As mudanças têm gerado protestos de grupos que representam britânicos que vivem no exterior, muitos dos quais mantêm outra cidadania e viagens frequentes ao Reino Unido. Organizações como The3million, que defende direitos de pessoas com dupla cidadania, pediram ao governo britânico uma transição mais longa ou alternativas menos onerosas, especialmente para quem ainda não possui passaporte britânico válido ou tem o documento expirado.
Alguns dos principais casos afetados incluem:
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Cidadãos nascidos no exterior que ainda não emitiram passaporte britânico mesmo após obterem cidadania.
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Pessoas que têm passaporte britânico vencido e dependiam do documento estrangeiro para viajar.
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Famílias que planejam viagens de emergência, eventos familiares e compromissos sem tempo para regularizar a documentação.
Consequências e orientações das autoridades
A falta do passaporte britânico válido pode resultar em negação de embarque pela companhia antes mesmo de o viajante sair do seu país de origem, já que as transportadoras são legalmente obrigadas a verificar a documentação correta.
Além disso, quem tenta entrar apenas com passaporte estrangeiro e sem o certificado de direito de residência corre o risco de enfrentar complicações no controle de fronteira e atrasos prolongados.
A recomendação das autoridades é que quem possui dupla cidadania emita ou renove o passaporte britânico com antecedência, solicite o Certificate of Entitlement se necessário, e verifique todos os requisitos antes de viajar com uma companhia aérea ou outro meio de transporte.
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