Principal responsável pela pasta do Turismo no governo italiano desde outubro de 2022, Daniela Santanchè apresentou oficialmente sua renúncia ao cargo de ministra do Turismo em 25 de março de 2026, após forte pressão política da primeira‑ministra Giorgia Meloni e do agravamento da crise interna do governo após a derrota no recente referendo constitucional sobre reforma judicial.
Santanchè estava à frente do Ministério do Turismo desde 22 de outubro de 2022, na coalizão liderada por Meloni. Com um perfil político ativo na direita italiana e forte visibilidade pública, ela se tornou uma figura central em políticas de promoção internacional do país, especialmente em um setor que responde por uma parte significativa da economia italiana.
Contexto da renúncia
A renúncia foi anunciada poucos dias depois que o governo de Meloni sofreu uma derrota importante no referendo judicial realizado entre 22 e 23 de março de 2026, um resultado visto como um sério revés para a liderança da primeira‑ministra e que desencadeou uma onda de descontentamento político.
Na quarta‑feira, 25 de março, Santanchè apresentou sua carta de demissão depois que Meloni a havia pedido publicamente que deixasse o cargo, um gesto incomum na política italiana, já que o primeiro‑ministro não pode demitir ministros diretamente sem que eles renunciem.
Em sua nota de despedida, Santanchè afirmou que não queria ser “o bode expiatório” pela derrota no referendo, ressaltando que “até a data, meu registro criminal é irrepreensível” e mostrando ressentimento pela forma como a pressão foi feita publicamente.
Investigação judicial e críticas
A renúncia ocorre em meio a várias controvérsias judiciais envolvendo Santanchè. Ela enfrentava investigações e processos por supostas irregularidades financeiras e falsas comunicações societárias relacionadas a negócios anteriores, incluindo a dissolução de empresas ligadas a ela, o que aumentou a pressão política e social por sua saída.
Os críticos afirmavam que sua permanência no cargo enfraquecia a imagem do governo, especialmente após a derrota no referendo, e alimentava pedidos da oposição para que ela deixasse a função.
Consequências políticas
Além do impacto no Ministério do Turismo, a crise impulsionada pelo resultado do referendo já havia levado à renúncia de outros membros do governo, incluindo dois altos funcionários do Ministério da Justiça envolvidos em polêmicas.
Com a saída de Santanchè, a chefia do Ministério do Turismo passou a ser exercida interinamente pela própria primeira‑ministra Giorgia Meloni a partir de 26 de março de 2026, segundo registros oficiais que atualizam a lista de ministros italianos.
A mudança ocorre em um momento delicado para o governo Meloni, que enfrenta críticas crescentes tanto da oposição quanto de setores da sociedade civil e tenta restabelecer estabilidade política antes das eleições gerais previstas para 2027.
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