As eleições presidenciais em Portugal de 2026 marcam o fim de um ciclo político de quase uma década com a saída de Marcelo Rebelo de Sousa do Palácio de Belém. O atual chefe de Estado conclui o segundo mandato consecutivo, limite imposto pela Constituição, e não pode voltar a concorrer.
A votação está marcada para domingo, 18 de janeiro de 2026, conforme o calendário oficial da Comissão Nacional de Eleições (CNE). Cerca de 11 milhões de eleitores estão recenseados e aptos a participar do pleito.
Disputa fragmentada aumenta chance de segundo turno
Onze candidatos validados
Com o cargo em aberto, a corrida presidencial reúne 11 candidatos oficialmente validados, representando diferentes espectros políticos e também candidaturas independentes. Entre eles estão André Ventura, António José Seguro, João Cotrim Figueiredo e o almirante Henrique Gouveia e Melo.
Apesar disso, o boletim de voto terá 14 nomes, já que três candidaturas foram indeferidas pelo Tribunal Constitucional, mas não houve tempo hábil para reimpressão das cédulas.
Pesquisas apontam eleição indefinida
Uma sondagem da Universidade Católica para RTP, Antena 1 e Público indica que nenhum candidato alcança maioria absoluta no primeiro turno. André Ventura aparece com cerca de 24% das intenções de voto, seguido por António José Seguro (23%) e João Cotrim de Figueiredo (19%), todos dentro de margens que mantêm a disputa aberta.
Cerca de 15% dos eleitores ainda se declaram indecisos, o que reforça a possibilidade de uma segunda volta.
O que está em jogo no segundo turno
Segundo o estudo, António José Seguro e Henrique Gouveia e Melo apresentam níveis mais altos de aceitação em um eventual segundo turno, enquanto Ventura registra maior rejeição, fator decisivo em confrontos diretos.
Caso nenhum candidato vença no primeiro turno, a segunda volta será realizada em 8 de fevereiro, três semanas após a votação inicial — algo que não ocorre em Portugal desde 1986.
Como funciona a eleição presidencial em Portugal
Diferentemente do Brasil, a votação em Portugal é feita em cédula de papel e o voto não é obrigatório. Ainda assim, eleições presidenciais costumam mobilizar mais eleitores, embora a abstenção tenha chegado a 60,76% no último pleito.
Papel do presidente
O presidente da República é o chefe de Estado, com funções institucionais relevantes: promulgar ou vetar leis, dissolver o Parlamento em situações específicas e nomear o primeiro-ministro conforme os resultados legislativos.
Não governa no dia a dia, mas exerce papel central de equilíbrio político no sistema semipresidencialista.
Impacto para brasileiros em Portugal
Embora não legisle diretamente sobre imigração, o presidente influencia o ambiente político em que temas como regularização, integração e nacionalidade são debatidos.
Brasileiros com cidadania portuguesa podem votar normalmente; já residentes sem nacionalidade só participam se tiverem Estatuto de Igualdade de Direitos Políticos.
Fim da era Marcelo abre espaço para nova liderança
Após quase dez anos no cargo, Marcelo Rebelo de Sousa deixa o Palácio de Belém com avaliação majoritariamente positiva, apesar do recente desgaste. Sua saída abre caminho para uma nova liderança em um momento decisivo, dentro e fora de Portugal, marcado por um intenso calendário eleitoral na Europa.