O uso responsável da inteligência artificial militar estará no centro do debate internacional em fevereiro de 2026, quando a Espanha sediará a terceira edição da cúpula global Responsible Artificial Intelligence in the Military Domain (REAIM).
O evento acontecerá nos dias 4 e 5 de fevereiro, na cidade de Coruña, no norte do país.
A organização do encontro ficará a cargo dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa da Espanha, em parceria com a prefeitura de Coruña, e contará com a coordenação dos governos dos Países Baixos e da Coreia do Sul, que sediaram as edições anteriores do evento, em Haia e Seul.
A cúpula ocorre num momento em que a inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia futurista e passou a desempenhar um papel cada vez mais relevante em diversas áreas da atividade humana, especialmente no setor militar.
Sistemas baseados em IA já são utilizados para análise de dados, logística, vigilância e apoio à tomada de decisões estratégicas, o que levanta preocupações éticas, jurídicas e de segurança internacional.
Segundo o governo espanhol, o objetivo da cúpula é avançar na adoção de medidas “realistas, concretas e progressivas” que tornem efetivos os princípios do uso responsável da inteligência artificial no contexto militar.
A proposta é transformar diretrizes éticas em práticas operacionais aplicáveis pelas Forças Armadas dos diferentes países.
O encontro reunirá ministros das Relações Exteriores e da Defesa, além de representantes de governos, organizações regionais e internacionais, setor privado, universidades e entidades da sociedade civil.
Os participantes poderão submeter propostas de atividades e painéis para a programação da cúpula até o dia 14 de dezembro, por meio da plataforma oficial do evento.
A Espanha pretende dar continuidade aos avanços obtidos nas edições anteriores da REAIM, refletidos no Call to Action e no Blueprint for Action, documentos acordados após os encontros realizados em Haia, em 2023, e em Seul.
Esses textos estabeleceram princípios comuns para a governança da inteligência artificial no setor de defesa e incentivaram os Estados a desenvolver políticas nacionais alinhadas a esses compromissos.
Desde a primeira cúpula, os avanços tecnológicos e o uso crescente da inteligência artificial em cenários de conflito tornaram ainda mais urgente a definição de regras claras.
Atualmente, um número cada vez maior de países já elabora diretrizes próprias para o emprego de IA no domínio militar, buscando equilibrar inovação, segurança e respeito ao direito internacional humanitário.
A realização da REAIM 2026 contará ainda com o apoio do Ministério da Transformação Digital e da Administração Pública da Espanha, por meio da Agência Espanhola de Supervisão da Inteligência Artificial (AESIA), reforçando o compromisso do país com a regulação responsável das novas tecnologias.
Mais informações sobre o evento e sobre a iniciativa REAIM estão disponíveis no site oficial da cúpula.