A cidade de Nápoles, no sul da Itália, adotou uma medida emergencial que chamou a atenção das autoridades sanitárias internacionais: a proibição da venda e do consumo de frutos do mar crus em restaurantes e estabelecimentos públicos. A decisão foi tomada após um aumento expressivo de casos de hepatite A, doença infecciosa que afeta o fígado.
Aumento alarmante de casos
Segundo autoridades locais, mais de 150 casos de hepatite A já foram registrados, número até dez vezes superior à média dos últimos anos.
Além disso, hospitais da região chegaram a registrar dezenas de internações simultâneas, embora a maioria dos pacientes apresente quadros considerados não graves.
Especialistas apontam que o surto pode ter começado após o consumo de frutos do mar crus, especialmente mariscos, durante o período de festas, quando esse tipo de alimento é tradicionalmente consumido.
O que é a hepatite A?
A hepatite A é uma infecção viral transmitida principalmente por via fecal-oral, ou seja, por alimentos ou água contaminados, além de contato direto entre pessoas.
Entre os sintomas mais comuns estão:
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Náuseas e vômitos
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Fadiga intensa
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Febre
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Icterícia (pele e olhos amarelados)
Apesar de geralmente não evoluir para formas crônicas, a doença pode causar complicações e exige atenção, principalmente em surtos.
Medida emergencial e punições
A decisão foi oficializada pelo prefeito de Nápoles, que proibiu imediatamente a comercialização de frutos do mar crus em:
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Restaurantes
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Bares
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Quiosques
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Feiras
Quem descumprir a regra poderá enfrentar multas entre 2 mil e 20 mil euros, além de suspensão das atividades em caso de reincidência.
A medida também recomenda que a população evite o consumo desse tipo de alimento em casa.
Investigações e possíveis causas
As investigações apontam que a contaminação pode estar relacionada a:
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Mariscos cultivados em áreas afetadas por esgoto
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Chuvas intensas que teriam contaminado o mar
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Falhas na rastreabilidade dos produtos
Exames em criadouros identificaram amostras contaminadas, reforçando a hipótese de origem alimentar do surto.
Com o avanço dos casos, também foi observada transmissão entre pessoas, o que amplia o risco de disseminação.
Resposta das autoridades
Para conter o avanço da doença, autoridades italianas adotaram diversas medidas:
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Intensificação da fiscalização sanitária
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Rastreamento da cadeia de produção de frutos do mar
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Campanhas de vacinação para grupos de risco
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Orientação sobre higiene alimentar
A recomendação é clara: consumir apenas frutos do mar bem cozidos, além de reforçar a higienização de alimentos e das mãos.
Impacto econômico e cultural
A proibição atinge diretamente a gastronomia local, já que pratos com frutos do mar crus fazem parte da tradição napolitana.
Comerciantes já relatam queda nas vendas e aumento da fiscalização, enquanto produtores alertam que o problema maior pode estar no comércio informal e em produtos sem controle sanitário.
Alerta internacional
O caso de Nápoles serve como um alerta global sobre os riscos associados ao consumo de alimentos crus, especialmente em regiões onde há falhas no saneamento ou na cadeia de produção.
Especialistas reforçam que surtos como esse podem ocorrer em qualquer lugar do mundo, inclusive em países onde o consumo de peixe cru, como sushi e ceviche, é popular.
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