Uma série de paralisações no setor aéreo italiano ameaça afetar milhares de passageiros justamente durante o período em que o país recebe um dos maiores eventos esportivos do planeta. Convocadas por sindicatos da aviação civil, as greves estão programadas para 16 de fevereiro e 7 de março, coincidindo respectivamente com as Olimpíadas e as Paralimpíadas de Inverno sediadas no país.
Motivações: contratos vencidos e impasse nas negociações
Segundo entidades sindicais, o movimento é resultado de um prolongado conflito trabalhista. Os representantes dos trabalhadores afirmam que os protestos foram convocados devido à demora na renovação do acordo coletivo nacional do setor e de contratos individuais já expirados há meses, além de negociações consideradas improdutivas com as empresas.
Também participam da mobilização pilotos, comissários, equipes de solo e funcionários aeroportuários de diversas companhias, incluindo empresas tradicionais e de baixo custo.
Impacto esperado: dezenas de milhares de passageiros
Autoridades do setor estimam que a paralisação de 24 horas marcada para 16 de fevereiro pode afetar entre 25 mil e 27 mil passageiros.
A previsão é de interrupções em grandes aeroportos do país, como os de Milão, Roma, Veneza e Verona, além de possíveis cancelamentos antes e depois do dia da greve, já que muitas companhias precisam reorganizar escalas e aeronaves.
Apesar disso, a legislação italiana exige faixas horárias mínimas de funcionamento das 7h às 10h e das 18h às 21h, quando voos essenciais devem ser mantidos.
Reação do governo e ameaças de intervenções
O governo italiano considera a paralisação um risco de imagem internacional durante os Jogos. O vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes criticou duramente a decisão sindical e afirmou que bloquear o tráfego aéreo durante o evento seria uma afronta ao país, a passageiros e a atletas.
A autoridade nacional responsável por greves em serviços essenciais chegou a recomendar o adiamento das paralisações para um período entre o fim das Olimpíadas e antes das Paralimpíadas, a fim de reduzir o impacto logístico.
Mesmo assim, sindicatos indicaram que não pretendem alterar as datas, o que elevou a tensão política e levou o governo a considerar a possibilidade de usar instrumentos legais para suspender os protestos.
Efeito dominó na mobilidade
O cenário de instabilidade não se limita ao transporte aéreo. Paralisações ferroviárias nacionais também estão previstas para o fim de fevereiro, podendo atingir trens regionais, intermunicipais e de alta velocidade.
Além disso, trabalhadores do controle de tráfego aéreo planejam outra greve em março, ampliando o risco de atrasos e cancelamentos em diferentes momentos da temporada turística.
Contexto europeu: onda de greves no setor
A crise não é exclusiva da Itália. Em fevereiro, paralisações em aeroportos e companhias aéreas também foram registradas em vários países europeus, provocando cancelamentos e atrasos em larga escala.
Na Alemanha, por exemplo, uma greve coordenada de pilotos e tripulantes levou ao cancelamento de quase 800 voos e afetou cerca de 100 mil passageiros, evidenciando a dimensão continental dos conflitos trabalhistas na aviação.
A resolução dependerá do avanço das negociações entre sindicatos, empresas e governo nas próximas semanas. Caso não haja acordo, o risco é de novas paralisações ao longo do primeiro semestre, período crucial para o turismo europeu de inverno.
Para passageiros, a recomendação geral das autoridades é acompanhar atualizações das companhias aéreas e verificar eventuais alterações de voo com antecedência.A greve do setor aéreo italiano revela um choque entre reivindicações trabalhistas e interesses logísticos nacionais em um momento sensível. No centro da disputa está a pressão sindical por melhores condições e contratos atualizados e, do outro lado, a preocupação do governo com a imagem do país diante do mundo durante um megaevento esportivo.
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