A corrida à Presidência de Portugal ganhou forma neste início de janeiro com o arranque oficial da campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026, marcando o que pode ser a eleição mais fragmentada e competitiva dos últimos tempos.
O que chama a atenção nesta contenda é o recorde histórico de 11 candidatos aprovados pelo Tribunal Constitucional, o maior número desde a Revolução dos Cravos de 1974, quando o país consolidou sua democracia moderna.
Quem está na disputa
Entre os 11 candidatos estão figuras conhecidas da vida política portuguesa e personalidades com trajetórias variadas, representando um amplo espectro de visões ideológicas. Entre eles estão:
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Henrique Gouveia e Melo – ex-almirante e personalidade com grande visibilidade pública após liderar a estratégia de vacinação contra a covid-19.
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Luís Marques Mendes – apoiado pelo PSD (Partido Social Democrata) e CDS, veterano da política tradicional.
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António José Seguro – com o respaldo do PS (Partido Socialista), figura de destaque da centro-esquerda portuguesa.
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André Ventura – líder do Chega, partido populista com forte agenda de crítica às elites políticas.
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Catarina Martins – representando o Bloco de Esquerda.
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António Filipe, Jorge Pinto, Cotrim Figueiredo, Humberto Correia, André Pestana e Manuel João Vieira completam a lista com propostas e perfis diversos.
Esse mix de candidatos, que vai desde nomes tradicionais de partidos a independentes e figuras de fora da política convencional, faz prever uma campanha intensa e possivelmente com segundo turno em fevereiro, já que é improvável que algum alcance mais de 50 % dos votos.
Como funciona a campanha
A campanha oficial começou no dia 4 de janeiro e vai até 16 de janeiro, véspera da eleição, seguindo o calendário habitual que culmina no dia da votação em 18 de janeiro de 2026.
Durante essas duas semanas, os candidatos deverão intensificar comícios, debates e atividades de rua, enquanto tentam conquistar eleitores num contexto político marcado por desafios como a economia, o sistema de saúde, desigualdades sociais e imigração, temas que prometem dominar os discursos e as promessas.
Campanhas cada vez mais caras
Além da fragmentação política, outra novidade desta eleição é o aumento substancial dos custos das campanhas presidenciais, com estimativas de gastos que ultrapassam os 5 milhões de euros no total, um patamar muito superior ao observado em eleições anteriores. Alguns candidatos planejam investimentos significativos em publicidade, eventos e estruturas de campanha em todo o país.
O papel do Presidente da República em Portugal
No sistema político português, o Presidente da República desempenha um papel essencial na estabilidade democrática, com poderes que incluem vetos a leis, nomeação de ministros em certos cenários e a capacidade de dissolver o Parlamento em momentos de crise política, o que confere importância extra a quem vai ocupar o cargo nos próximos cinco anos.
O que esperar nas próximas semanas
Com 11 candidatos em campo, muitos eleitores portugueses ainda parecem indecisos, e a campanha promete surpresas, alianças estratégicas e debates acalorados. Analistas apontam que a pluralidade de vozes pode refletir uma sociedade política cada vez mais fragmentada e exigente, em busca de respostas a desafios sociais e econômicos contemporâneos.
Se ninguém alcançar a maioria absoluta em 18 de janeiro, o país deverá ir a um segundo turno no dia 8 de fevereiro de 2026, colocando frente a frente os dois candidatos mais votados no primeiro turno.
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