A corrida para as eleições presidenciais de 2026 ganhou um momento decisivo nesta sexta-feira com a realização do Debate da Rádio, que colocou frente a frente oito dos principais candidatos à Presidência da República. O encontro teve transmissão simultânea nas estações Antena 1, TSF, Rádio Renascença e Rádio Observador, marcando um dos últimos grandes confrontos de ideias antes do início formal da campanha eleitoral, que começa no domingo.
O debate decorreu em Lisboa, entre as 09h30 e as 11h30, e contou com a participação de nomes que se destacam na corrida a Presidência da República de Portugal: João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal), António Filipe (PCP), Catarina Martins (BE), Henrique Gouveia e Melo, André Ventura (Chega), António José Seguro (PS), Luís Marques Mendes (POSD/CDS) e Jorge Pinto (Livre).
Temas centrais e embates
Ao longo de cerca de duas horas de debate, os candidatos abordaram temas que vão moldar a campanha oficial até as eleições marcadas para 18 de janeiro de 2026. Entre os tópicos mais debatidos estiveram a justiça portuguesa, a importância da transparência e escrutínio de poderes e a posição de Portugal em relação à Ucrânia e à política externa.
Críticas entre os candidatos marcaram momentos do encontro. O veterano Luís Marques Mendes e o almirante Henrique Gouveia e Melo protagonizaram algumas das trocas mais acaloradas ao falar sobre a atuação do Ministério Público e o papel do Estado no sistema político.
Também surgiram acusações cruzadas envolvendo supostos encontros e influências políticas, com André Ventura e António José Seguro debatendo diretamente episódios recentes de campanha.
Posições sobre o Parlamento e orçamento
Entre as posições firmadas pelos candidatos está o afastamento da maioria quanto a um possível cenário de dissolução imediata do Parlamento no caso de rejeição do Orçamento do Estado. A maioria dos presentes considerou que essa medida não seria um passo a seguir de imediato, embora alguns tenham deixado margem para decisões condicionadas ao contexto político.
Últimos encontros antes das eleições
Este Debate da Rádio faz parte de um ciclo que começou ainda em novembro com confrontos diretos entre candidatos e se estende até o início da campanha oficial de janeiro, quando serão promovidos outros debates, inclusive na televisão. A organização internacional e inter-estação deste encontro reflete a importância atribuída às perspetivas dos candidatos antes da fase decisiva de campanha.
Com cerca de duas semanas até ao ato eleitoral, o debate desta sexta-feira foi visto por analistas como um termómetro das posições e estilo de cada candidato, ao mesmo tempo em que permitiu aos eleitores comparar diretamente propostas em questões centrais para o país.
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