Com as eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026 cada vez mais próximas em Portugal, a disputa não acontece apenas nas ruas e nos programas televisivos, ela está bem viva nas plataformas digitais, onde os candidatos tentam construir narrativas, envolver simpatizantes e alcançar eleitores de formas cada vez mais sofisticadas.
Um estudo recente sobre comunicação digital dos aspirantes à Presidência analisou mais de 2.100 publicações no Facebook, Instagram e TikTok feitas ao longo de dezembro de 2025 e mostra que, mais do que convencer novos votantes, muitos candidatos têm procurado reforçar laços emocionais com quem já os segue.
Duas estratégias em jogo
De acordo com a análise, há tendências bem distintas na forma como os candidatos se comunicam online:
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Mensagens com foco emocional e simbólico, ligadas a temas sazonais como festas e tradições, que costumam gerar mais reações e partilhas especialmente no Instagram e TikTok.
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Conteúdos mais políticos ou programáticos, que obtêm menos alcance amplo, mas tendem a gerar comentários mais longos e engajados, refletindo debates mais densos entre seguidores.
Segundo os pesquisadores, essa predominância de mensagens afetivas e de manutenção de relação com a base indica que as redes sociais estão sendo usadas mais como espaço de identidade e reforço de comunidade do que de persuasão direta de indecisos.
Quem se destaca e como
Entre os candidatos monitorizados, surgem diferenças claras:
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André Ventura lidera em escala total de interações e publicações, acumulando o maior volume de presença digital, ainda que com um engagement médio relativamente baixo, o que sugere uma ampla exposição mas menor profundidade de conexão por seguidor.
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Jorge Pinto, por sua vez, se destaca por mobilização intensa dentro de uma comunidade menor, com altos índices de engajamento relativo apesar de um alcance mais limitado.
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João Cotrim de Figueiredo combina alcance e envolvimento de forma equilibrada, mostrando que há espaço para estratégias híbridas.
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Outros candidatos, como Marques Mendes, enfrentam dificuldades em gerar tração significativa no ambiente digital.
Desinformação como sombra na campanha
Ao mesmo tempo, a presença digital também tem sido palco de desinformação eleitoral. Um estudo do Observatório de Desinformação Política reporta que conteúdos falsos ou enganosos associados às presidenciais já ultrapassaram 7,7 milhões de visualizações nas redes sociais desde novembro de 2025, com André Ventura figurando na maioria dos casos monitorados.
Especialistas em observatórios de desinformação alertam que conteúdos manipulados podem influenciar percepções e polarizar ainda mais o debate durante o período de campanha, reforçando a necessidade de monitorização constante e educação digital entre os eleitores.
Plataformas e formatos: dinâmicas distintas
O estudo destaca também que cada plataforma tem dinâmicas próprias. Enquanto o Facebook e o Instagram tendem a oferecer um engajamento mais estável, o TikTok aparece com picos de viralidade associados a conteúdos pontuais, especialmente aqueles com apelo emocional ou visual.
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