UE e Mercosul firmam acordo comercial com impactos diretos para Brasil e Itália

O acordo comercial firmado entre a União Europeia e o Mercosul marca um novo capítulo nas relações econômicas entre a Europa e a América do Sul. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado prevê a redução gradual de tarifas, ampliação do acesso a mercados e fortalecimento do comércio bilateral, com efeitos relevantes para países como Brasil e Itália. Embora a assinatura represente um marco histórico, o acordo ainda precisa passar por processos de ratificação antes de entrar plenamente em vigor.

No último dia 17 , a União Europeia e o Mercosul deram um passo histórico ao formalizar o acordo de livre comércio negociado há mais de duas décadas. O entendimento envolve os países do bloco sul-americano (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e marca uma nova fase nas relações econômicas entre a Europa e a América do Sul, com impactos diretos sobre comércio, investimentos e cooperação bilateral.

Após anos de avanços lentos, impasses políticos e debates ambientais, a assinatura do acordo simboliza o esforço conjunto para ampliar o acesso aos mercados, reduzir tarifas e fortalecer laços estratégicos entre dois dos maiores blocos econômicos do mundo. Apesar do marco diplomático, o tratado ainda depende de etapas de ratificação interna para entrar plenamente em vigor.

O que é o acordo UE-Mercosul?

A criação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul dá origem a uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de consumidores e formando um mercado conjunto de grande relevância econômica.

O objetivo principal é reduzir tarifas de importação e exportação, facilitar o comércio de bens e serviços, ampliar investimentos e fortalecer parcerias econômicas entre os blocos.

Impactos para o Brasil

Ganho de mercado

Segundo análises do setor industrial brasileiro, com o acordo o país poderá acessar até 36% do comércio global , um salto importante frente aos atuais 8%, graças à participação da UE no comércio mundial.

Redução de despejo

O acordo prevê a eliminação ou redução de tarifas sobre cerca de 95% dos produtos negociados entre Brasil e UE. Isso significa que muitas exportações brasileiras terão menos taxas e mais competitividade no mercado europeu ao longo do tempo.

Transição gradual

Para produtos considerados mais seguros, especialmente agrícolas, os prazos para a redução de variações tarifárias e vão depender de negociações específicas, chegando a até 15 anos para alguns setores.

Desafios e debates

Apesar das oportunidades, parte do texto ainda gera debate interno. Os setores agrícolas e pecuários estão atentos às taxas de importação e regras sanitárias. Além disso, o acordo ainda precisa ser aprovado no Parlamento Europeu e nas legislativas nacionais, o que pode gerar alterações e exigências adicionais.

O que muda para a Itália

Acesso ao mercado brasileiro

Para a Itália, um dos principais parceiros comerciais do Brasil na UE, o acordo promete facilitar a entrada de produtos italianos no mercado brasileiro, especialmente em setores como bens industriais, tecnologia, máquinas e produtos farmacêuticos .

Indicações Geográficas

O acordo também fortalece a proteção de produtos europeus com denominações de origem, como queijos e vinagres tradicionais italianos, garantindo que sejam reconhecidos e protegidos contra imitações no Mercosul.

Agronegócio e atendimentos locais

Ainda assim, algumas áreas italianas, principalmente no agronegócio, vinham levantando preocupações sobre a competição com carnes e produtos agropecuários do Mercosul, o que gerou debates intensos antes da aprovação do pacto no bloco europeu.

Perspectivas futuras

A assinatura do tratado é um marco histórico, mas sua implementação depende do processo de ratificação, que pode levar meses ou até anos, dependendo do ritmo dos parlamentos dos países envolvidos.

Governos e empresas de ambos os lados veem o acordo como uma oportunidade para expandir o comércio, reduzir custos e fomentar investimentos. Por outro lado, os movimentos sociais, os setores agrícolas e os grupos ambientalistas continuam acompanhando de perto as negociações, especialmente em relação aos padrões ambientais e regras de produção.

Leia mais: Acordo Mercosul-UE cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e pode baratear produtos no Brasil

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