A Justiça italiana negou, na última terça-feira (10), um recurso apresentado pela defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para substituir os juízes responsáveis pela análise do processo de extradição que pode levá-la de volta ao Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação de Roma, onde tramita o caso, e confirma a continuidade do procedimento que começará a ser deliberado nos próximos dias.
A defesa havia solicitado a mudança do colegiado sob a alegação de suposta falta de imparcialidade no julgamento, mas os magistrados mantiveram a equipe original. Com a rejeição do pedido, uma nova audiência foi agendada para esta quarta-feira (11) pela manhã no tribunal italiano, quando será avaliado o mérito da extradição.
Contexto do processo
Carla Zambelli, que tem dupla cidadania brasileira e italiana, está detida na Penitenciária Feminina de Rebibbia, em Roma, desde julho de 2025, após ter sido localizada pelas autoridades italianas em cumprimento a um mandado de prisão brasileiro. A prisão ocorreu depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a execução de penas impostas à ex-deputada por crimes que incluem invasão de sistema informático e falsidade ideológica, entre outros.
O governo brasileiro formalizou ao longo de 2025 um pedido de extradição às autoridades italianas. O Ministério Público italiano chegou a emitir parecer favorável à extradição. No entanto, o processo tem enfrentado sucessivos adiamentos e disputas jurídicas.
Adiamentos do julgamento
O julgamento sobre a extradição de Zambelli foi adiado diversas vezes desde o início do processo, em parte por pedidos da defesa e também por questões procedimentais. A nova sessão marcada para 11 de fevereiro será decisiva para a continuidade da análise do pedido, embora ainda não haja data definitiva para uma conclusão final.
Caso a Corte de Apelação italiana confirme a extradição, a decisão será submetida ao Ministério da Justiça da Itália, que terá a palavra final sobre o retorno da ex-parlamentar ao Brasil para o cumprimento das penas determinadas pelo STF.
Repercussões políticas e legais
No Brasil, a sequência do processo de extradição tem sido acompanhada de perto por autoridades e pela opinião pública, dado que Zambelli renunciou ao mandato de deputada após as condenações pelo STF terem transitado em julgado. Seus advogados defendem que a parlamentar sofre perseguição política, argumentando contra a legalidade de sua prisão e pedido de extradição, afirmações que não foram aceitas até o momento pela Justiça italiana.
Especialistas em direito internacional observam que processos de extradição envolvendo dupla cidadania costumam ser complexos e podem levar meses ou até anos até uma resolução definitiva, especialmente se houver recursos a instâncias superiores da Justiça italiana.
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