Suécia: Uppsala aposta em “turismo de QI” e troca selfies por experiências culturais

Uppsala quer transformar turistas em exploradores curiosos.

Enquanto destinos turísticos ao redor do mundo disputam visitantes com cenários “instagramáveis”, uma cidade no norte da Europa decidiu seguir o caminho oposto. Em Uppsala, a proposta não é tirar a foto perfeita — mas estimular o pensamento.

A iniciativa, chamada de turismo de QI, propõe uma nova forma de viajar: menos superficial, mais curiosa e intelectualmente envolvente.

Localizada a cerca de 40 minutos de trem de Estocolmo, a cidade aposta em sua forte herança acadêmica e histórica para oferecer experiências que vão além do óbvio.

Uma resposta ao turismo superficial

Nos últimos anos, o chamado “turismo de selfies” transformou a forma como muitos viajantes exploram o mundo. Filas para fotos rápidas substituíram o interesse genuíno por cultura, história e contexto.

Uppsala decidiu romper com essa lógica.

Segundo Helena Bovin, responsável de marketing da Destination Uppsala, a ideia é reposicionar a cidade como um destino onde a curiosidade é o principal motor da viagem.

Em vez de seguir roteiros tradicionais, os visitantes são guiados por um símbolo de “QI” espalhado pela cidade, indicando locais que oferecem história, significado e narrativas mais profundas.

Conhecimento como atração turística

O conceito faz ainda mais sentido em uma cidade que respira conhecimento.

A Universidade de Uppsala, fundada em 1477, é a mais antiga da Suécia e um dos principais polos acadêmicos da Europa. Quase metade da população local tem menos de 30 anos, o que reforça o ambiente jovem e intelectual.

Um dos nomes mais famosos ligados à universidade é Anders Celsius, criador da escala de temperatura utilizada mundialmente.

No museu Gustavianum, é possível ver versões históricas do termômetro e explorar um impressionante teatro anatômico do século XVII — um dos exemplos mais marcantes de como ciência e história se entrelaçam na cidade.

Entre vikings e cafés históricos

O turismo de QI também convida o visitante a explorar camadas menos óbvias da cidade.

Nos arredores, o sítio arqueológico de Gamla Uppsala revela a importância da região durante a Era Viking. Os montes funerários reais, que remontam ao período de Vendel, ajudam a entender rituais antigos e a relação com deuses como Thor e Odin.

Mas nem só de história antiga vive a experiência.

No centro da cidade, espaços como o Ofvandahls Hovkonditori, aberto em 1878, oferecem um mergulho na tradição local, enquanto cafeterias contemporâneas estimulam conversas espontâneas — resgatando o espírito das antigas coffee houses europeias.

Detalhes que passam despercebidos

Um dos elementos mais curiosos do projeto é o uso de um binóculo vermelho instalado em diferentes pontos da cidade.

Ele direciona o olhar para detalhes que normalmente passariam despercebidos: uma janela antiga não restaurada, uma inscrição aparentemente banal em uma calçada ou pequenas intervenções artísticas escondidas.

A proposta é simples, mas poderosa: treinar o olhar para enxergar além do óbvio.

Uma nova tendência de viagem

O turismo de QI surge em um momento em que cresce o interesse por viagens mais autênticas e significativas.

Após anos marcados por consumo rápido de experiências, muitos viajantes começam a buscar conexões mais profundas com os destinos — seja através da história, da cultura ou do conhecimento.

Uppsala se posiciona na vanguarda desse movimento, propondo uma mudança de mentalidade: viajar não apenas para ver, mas para entender.

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