Partido de Meloni é criticado após ação com recém-naturalizados na Itália

O partido Fratelli d’Italia, liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, enfrenta críticas após distribuir “diplomas de cidadania” a recém-naturalizados na região do Lácio. A ação ocorreu dias antes das eleições municipais em Santa Marinella e foi acusada por opositores de transformar a cidadania italiana em ferramenta eleitoral.

Uma iniciativa promovida por representantes locais do partido Fratelli d’Italia, legenda liderada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, provocou controvérsia na região do Lácio, na Itália, poucos dias antes das eleições municipais de Santa Marinella.

O comitê local do partido entregou a cidadãos recém-naturalizados italianos um “diploma de cidadania” acompanhado de um pequeno frasco decorativo com as cores da bandeira italiana. O material distribuído também trazia o símbolo do FdI e o nome de Giorgia Meloni, o que gerou críticas de adversários políticos e lideranças regionais.

Segundo informações divulgadas pela imprensa local, os contatos dos recém-naturalizados teriam sido obtidos por meio do próprio comitê eleitoral e não por canais institucionais.

Oposição questiona uso político da cidadania

A iniciativa foi duramente criticada por representantes de partidos de oposição e movimentos políticos locais, que acusam o FdI de transformar um direito institucional em ferramenta de campanha eleitoral.

Giosuè De Felici, responsável pelos Jovens Democratas da Província de Roma, classificou a ação como:

“grave, politicamente indecente e institucionalmente inaceitável”.

Ele também afirmou:

“A cidadania italiana não é um prêmio a ser entregue em sede de partido. Não é um gadget eleitoral. É um direito, conquistado muitas vezes após anos de trabalho, estudo, sacrifícios, burocracia e esperas intermináveis”.

De Felici ainda questionou a origem dos dados utilizados para contactar os recém-naturalizados.

“Quem forneceu os contatos dessas pessoas? Com quais critérios foram chamadas? Foi esclarecido de forma explícita que não se tratava de uma iniciativa institucional?”

Candidatos e líderes regionais reagem

A candidata à prefeitura de Santa Marinella, Mariarosaria Rossi, também criticou o episódio. Em nota, o seu comitê afirmou que a ação representa:

“um uso político dos direitos por parte do FdI”.

O comunicado acrescenta ainda que:

“as pessoas não são números” e que a iniciativa “arrisca comprometer a reputação e a credibilidade dos dirigentes locais do partido”.

Já Patrizio Pacifico, secretário do Partido Democrático em Civitavecchia, cidade vizinha a Santa Marinella, defendeu esclarecimentos sobre o caso.

“É correto pedir esclarecimentos: quem promoveu a iniciativa, como as pessoas envolvidas foram contatadas e se foi claramente explicado que não se tratava de um ato institucional. Porque a cidadania italiana não é uma concessão partidária. É a filiação à República. E a República não tem um logotipo eleitoral”, declarou.

Conselheira regional chama episódio de “vergonhoso”

A conselheira regional Marietta Tidei, do partido Italia Viva, também se pronunciou nas redes sociais e classificou o episódio como inadequado.

“O que está acontecendo em Santa Marinella é simplesmente vergonhoso”, afirmou.

Ela acrescentou:

“A cidadania italiana não a concede o Fratelli d’Italia, não a concede um vereador e, sobretudo, não se retira em um comitê eleitoral. A cidadania italiana é conferida pelo Presidente da República.”

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