Viajar para a Europa está ficando mais digital e também mais rigoroso. A União Europeia e o Reino Unido começaram a implementar novos sistemas eletrônicos de controle migratório que mudam a forma de entrada de turistas brasileiros no continente.
Na prática, o tradicional carimbo no passaporte está sendo substituído por registros digitais, biometria e autorizações online obrigatórias antes do embarque.
Os novos sistemas envolvem três siglas que passam a fazer parte da rotina de quem pretende viajar: EES, ETIAS e ETA. Apesar dos nomes parecidos, cada mecanismo tem uma função diferente.
O que é o EES e como ele funciona
O primeiro sistema já em funcionamento é o EES (Entry/Exit System), implementado na Zona Schengen desde abril de 2026.
O mecanismo registra digitalmente a entrada e saída de viajantes de fora da União Europeia, incluindo brasileiros. Em vez de receber carimbos no passaporte, o turista passa a ter dados armazenados eletronicamente, como:
- Fotografia facial;
- Impressões digitais;
- Informações do passaporte;
- Datas de entrada e saída.
O EES não exige cadastro prévio do viajante, mas permite que as autoridades europeias controlem automaticamente o limite máximo de permanência permitido para turistas: até 90 dias dentro de um período de 180 dias na Zona Schengen.
Quem ultrapassar esse prazo poderá ser identificado imediatamente pelo sistema migratório europeu.
ETIAS será obrigatório para brasileiros
Outra mudança importante é a futura implementação do ETIAS (European Travel Information and Authorisation System).
O sistema funcionará como uma autorização eletrônica obrigatória para cidadãos de países que atualmente entram na Europa sem visto, como o Brasil.
A expectativa da União Europeia é que o ETIAS entre em operação no último trimestre de 2026, embora a data oficial ainda não tenha sido confirmada.
Como vai funcionar o ETIAS
Antes de viajar, o passageiro deverá:
- Preencher um formulário online;
- Informar dados pessoais e do passaporte;
- Responder perguntas de segurança e imigração;
- Aguardar a autorização eletrônica.
A aprovação ficará vinculada ao passaporte utilizado no cadastro.
Segundo as regras previstas atualmente:
- O ETIAS terá validade de até três anos;
- Permitirá múltiplas entradas;
- Custará cerca de 7 euros para a maioria dos viajantes.
Sem a autorização aprovada, o passageiro poderá ser impedido de embarcar ainda no aeroporto de origem.
As autoridades europeias alertam que o sistema oficial ainda não foi aberto e recomendam cuidado com sites não autorizados que prometem antecipar solicitações.
Reino Unido já exige autorização eletrônica
Enquanto a União Europeia prepara o ETIAS, o Reino Unido já colocou em prática o ETA (Electronic Travel Authorisation).
Desde a mudança, brasileiros que viajam ao país como turistas precisam solicitar a autorização online antes da viagem, mesmo sem necessidade de visto tradicional.
O ETA britânico:
- Custa cerca de 16 libras;
- Tem validade de até dois anos;
- Permite múltiplas entradas;
- Fica vinculado eletronicamente ao passaporte.
Sem o ETA aprovado, companhias aéreas podem barrar o embarque para cidades como Londres, Manchester e Edimburgo.
O que brasileiros devem fazer antes de viajar
As novas exigências não acabam com as viagens sem visto para a Europa, mas tornam o planejamento muito mais importante.
Especialistas recomendam que os viajantes:
- Verifiquem a validade do passaporte;
- Acompanhem os cronogramas oficiais do ETIAS;
- Solicitem autorizações com antecedência;
- Evitem comprar passagens sem checar as novas regras;
- Utilizem apenas plataformas oficiais para os pedidos eletrônicos.
Europa terá controle migratório mais automatizado
A tendência é que os países europeus adotem sistemas cada vez mais integrados, com compartilhamento de informações em tempo real e maior monitoramento do histórico migratório dos viajantes.
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