Operação da PF investiga ligação entre PCC e máfia italiana em esquema internacional de tráfico

A Operação Narco Sky, da Polícia Federal, investiga uma organização suspeita de enviar cocaína do Brasil para a Europa e a África. As apurações apontam possíveis ligações entre operadores ligados ao PCC e integrantes da máfia italiana 'Ndrangheta. A ação resultou no bloqueio de mais de R$ 631 milhões em bens e ativos financeiros.

Uma operação da Polícia Federal trouxe novos detalhes sobre a atuação de organizações criminosas transnacionais envolvidas no tráfico internacional de drogas. Batizada de Narco Sky, a ação investiga uma rede suspeita de enviar grandes quantidades de cocaína do Brasil para mercados da Europa e da África, com indícios de conexões entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e membros da máfia italiana ‘Ndrangheta.

De acordo com a PF, a investigação é um desdobramento da Operação Narco Vela e teve como alvo um grupo apontado como responsável por coordenar rotas marítimas utilizadas para o transporte de entorpecentes. Mandados judiciais foram cumpridos em diferentes estados brasileiros, além do bloqueio de mais de R$ 631 milhões em bens e ativos financeiros ligados aos investigados.

As apurações indicam que a organização utilizava uma estrutura complexa para movimentar a droga entre continentes, envolvendo intermediários, empresas e operadores espalhados por diversos países. O objetivo seria abastecer mercados europeus, onde o valor da cocaína pode ser muito superior ao praticado na América do Sul.

Investigação aponta atuação de rede criminosa transnacional

A possível participação da ‘Ndrangheta chama a atenção das autoridades por causa da influência que a organização exerce no tráfico internacional de drogas. Originária da região da Calábria, no sul da Itália, a máfia é apontada por especialistas como uma das principais responsáveis pela distribuição de cocaína em território europeu.

Ao longo das últimas décadas, o grupo construiu uma ampla rede internacional com presença em portos estratégicos, centros logísticos e sistemas financeiros utilizados para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.

Segundo os investigadores, a aproximação entre facções sul-americanas e organizações criminosas europeias reflete a crescente internacionalização do narcotráfico. Enquanto a produção da cocaína permanece concentrada em países da América do Sul, grande parte da procura e dos lucros está nos mercados europeus.

As investigações também envolveram o rastreamento de embarcações, análise de comunicações entre suspeitos e monitoramento de movimentações financeiras que teriam sido utilizadas para esconder a origem do dinheiro obtido com o tráfico. Parte do trabalho contou com cooperação entre autoridades brasileiras e organismos internacionais.

Para a Polícia Federal, a Operação Narco Sky evidencia como o crime organizado atua atualmente de forma globalizada, conectando produtores, transportadores, distribuidores e operadores financeiros em diferentes continentes.

A ofensiva contra o grupo investigado oferece um panorama sobre o funcionamento das redes internacionais de tráfico de drogas e reforça os desafios enfrentados pelas autoridades no combate a organizações criminosas que operam além das fronteiras nacionais.

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