A cobrança de uma taxa para visitantes que passam apenas algumas horas em Veneza continua gerando resultados. Em 2026, a cidade italiana arrecadou mais de € 5 milhões com o sistema de acesso ao centro histórico, criado para desestimular o turismo de massa e reduzir o impacto causado pelos chamados turistas de “bate e volta”.
Os dados foram divulgados pela Prefeitura de Veneza e ainda são considerados provisórios, mas já mostram o impacto financeiro da medida, implantada em caráter permanente após um período de testes.
Como funciona a taxa de acesso
A tarifa foi cobrada durante 60 dias não consecutivos, entre 3 de abril e 26 de julho, abrangendo todos os fins de semana e feriados do período, quando a cidade costuma registrar maior fluxo de visitantes.
Segundo a Prefeitura, foram vendidos aproximadamente 650 mil vouchers de entrada, gerando uma arrecadação superior a € 5 milhões.
O valor da taxa variou entre € 5 e € 10 por pessoa, dependendo da antecedência com que o visitante realizava a reserva.
A cobrança é destinada principalmente aos turistas que visitam Veneza apenas durante o dia e não pernoitam na cidade.
Prefeitura quer aumentar valor para até € 50
Apesar dos resultados obtidos, a administração municipal já estuda endurecer as regras.
O prefeito de Veneza, Simone Venturini, manifestou a intenção de elevar a taxa para até € 50 por visitante, tornando a cobrança significativamente mais alta para quem pretende fazer apenas uma visita rápida ao centro histórico.
A proposta ainda não foi implementada, mas faz parte das discussões sobre novas estratégias para controlar o fluxo turístico.
Objetivo é combater o chamado “turismo predatório”
A taxa de acesso foi criada em 2024 como uma das principais medidas adotadas por Veneza para enfrentar o excesso de visitantes.
Segundo a Prefeitura, o objetivo é combater o chamado “turismo predatório”, caracterizado por turistas que permanecem poucas horas na cidade, utilizam sua infraestrutura, mas geram baixo retorno econômico por não se hospedarem nem consumirem serviços locais de forma significativa.
Além da arrecadação, a administração municipal defende que a cobrança também ajuda a conscientizar os visitantes sobre a necessidade de preservar um dos destinos turísticos mais famosos do mundo.
Medida continua dividindo opiniões
Embora a Prefeitura considere a iniciativa um avanço na gestão do turismo, a taxa ainda enfrenta críticas.
Especialistas e opositores afirmam que a medida funciona principalmente como um mecanismo para aumentar a arrecadação do município, sem resolver o problema da superlotação.
Um dos principais argumentos é que o sistema não estabelece um limite diário de visitantes, permitindo que milhares de pessoas continuem entrando na cidade mesmo após o pagamento da taxa.
Para esses críticos, a cobrança, por si só, não seria suficiente para reduzir a pressão exercida pelo turismo de massa sobre Veneza.
Turismo de massa mudou a cidade ao longo das décadas
O debate sobre o controle do turismo está diretamente ligado às transformações demográficas enfrentadas por Veneza nas últimas décadas.
Em 1951, o centro histórico da cidade abrigava quase 175 mil moradores. Atualmente, esse número caiu para cerca de 48,5 mil habitantes.
Enquanto isso, a população das áreas continentais de Veneza seguiu o caminho inverso: passou de aproximadamente 97 mil para 178 mil moradores no mesmo período.
A redução da população residente é frequentemente associada ao crescimento do turismo, ao aumento do custo de vida e à expansão dos imóveis destinados ao aluguel de curta temporada.
Especialistas alertam que esse fenômeno ameaça a identidade da cidade, transformando áreas históricas em espaços voltados quase exclusivamente para visitantes.
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