Um dos maiores incêndios florestais registrados no norte da França nas últimas duas décadas continua mobilizando equipes de emergência na emblemática floresta de Fontainebleau, localizada a cerca de 60 quilômetros ao sudeste de Paris.
Desde o início das chamas, no domingo (12), mais de 2 mil hectares de vegetação já foram destruídos. O combate ao fogo envolve mais de 800 bombeiros, além de aviões, helicópteros e equipamentos pesados utilizados para conter os focos e evitar que o incêndio avance para novas áreas.
As autoridades francesas afirmam que a situação apresentou melhora nesta terça-feira (14), mas alertam que o risco ainda não foi totalmente eliminado.
Condições climáticas ajudaram a conter o avanço das chamas
Segundo o prefeito do departamento de Seine-et-Marne, Pierre Ory, a mudança nas condições meteorológicas favoreceu o trabalho das equipes de combate.
“O clima evoluiu de forma um pouco mais favorável nas últimas horas.”
O prefeito classificou esta terça-feira como “um dia decisivo”, depois de enfrentar “uma noite complicada para os bombeiros”.
Ele explicou que, após as fortes rajadas de vento registradas na segunda-feira, os ventos “diminuíram de maneira geral”, reduzindo a velocidade de propagação das chamas.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, também avaliou que a situação começou a ser estabilizada.
“O fogo não avança mais” e “está contido”, mas “agora é preciso debelar os focos.”
Apesar da melhora, as autoridades destacam que ainda existem diversos pontos de incêndio ativos e que o trabalho dos bombeiros continuará nos próximos dias.
Dois grandes focos atingem a floresta
O incêndio é composto por dois grandes focos.
O primeiro começou no domingo, próximo à rodovia A6, uma das principais ligações entre Paris e o sudeste da França, e já destruiu aproximadamente 1.600 hectares.
Já segundo incêndio teve início na tarde de segunda-feira, na região conhecida como Faisanderie, nas proximidades da cidade de Fontainebleau.
Segundo Pierre Ory, esse foco consumiu cerca de 450 hectares, após percorrer “durante a noite uma área bastante importante”.
Solo favorece o reaparecimento das chamas
Mesmo nas áreas onde o fogo já foi controlado, o risco permanece elevado.
As equipes enfrentam dificuldades por causa do relevo acidentado e das características do solo da floresta.
Segundo o prefeito, “a natureza turfosa do solo” facilita o reaparecimento dos incêndios.
Ele explicou que:
“Um incêndio em turfa pode se propagar pelo solo durante vários dias, ou até várias semanas, e ressurgir às vezes a mais de cem metros do foco inicial.”
Por esse motivo, além de combater as chamas visíveis, os bombeiros também trabalham para eliminar focos subterrâneos que podem voltar à superfície.
Mais de mil pessoas foram retiradas da área
As autoridades informaram que aproximadamente mil pessoas precisaram deixar suas casas por causa do avanço do fogo.
Moradores relataram momentos de tensão durante a chegada das chamas às regiões residenciais.
Nicolas Tournier, morador da comuna de Le Vaudoué, contou como viveu a primeira noite do incêndio.
“A primeira noite foi muito estressante. O fogo estava chegando às nossas casas e tínhamos medo de que elas queimassem.”
O impacto emocional também foi relatado por Agnès Turquier, de 62 anos, que viajou até a região para ajudar familiares e moradores afetados.
“Tenho medo de voltar aos lugares que conhecíamos e não reconhecer mais nada.”
Aviões e helicópteros reforçam combate ao fogo
Com o amanhecer, quatro aviões Canadair especializados no combate a incêndios florestais retomaram as operações aéreas, interrompidas durante a noite.
Helicópteros lançadores de água também voltaram a atuar, enquanto escavadeiras abriram novos acessos para permitir que as equipes chegassem às áreas mais críticas.
Em diversos pontos, embora as chamas principais tenham sido controladas, pequenos focos continuam reaparecendo devido ao vento e ao calor acumulado no solo.
Fumaça foi percebida a quase 100 quilômetros
Os efeitos do incêndio ultrapassaram os limites da floresta.
No departamento de Loiret, moradores relataram forte cheiro de fumaça em cidades como Orléans, localizada a cerca de 100 quilômetros de Fontainebleau.
Diante do grande número de chamadas para os serviços de emergência, autoridades locais pediram que a população evitasse acionar os bombeiros apenas por sentir cheiro de queimado, desde que não houvesse risco imediato.
Calor extremo aumenta risco de novos incêndios
A França enfrenta uma intensa onda de calor neste verão europeu.
Nesta terça-feira, 26 departamentos franceses permaneciam sob o nível máximo de vigilância meteorológica devido às altas temperaturas.
Segundo o serviço meteorológico Météo-France:
“O fim deste episódio não é esperado antes de quinta-feira em escala nacional, ou até mais tarde nas regiões mediterrâneas.”
Nos últimos dias, outros incêndios de vegetação também foram registrados em regiões como Bretanha e Lozère.
Polícia investiga causas do incêndio
As autoridades francesas informaram que seis pessoas foram detidas sob suspeita de envolvimento em diferentes incêndios florestais registrados no país.
Entre os detidos está um bombeiro que confessou ter provocado um dos focos de incêndio.
As investigações continuam para determinar se há relação entre os suspeitos e o incêndio que atingiu a floresta de Fontainebleau.
Uma das áreas naturais mais importantes da França
Considerada um dos principais patrimônios naturais franceses, a floresta de Fontainebleau ocupa cerca de 25 mil hectares e recebe mais de 15 milhões de visitantes por ano.
Além de seu valor ambiental, a área é conhecida por sua rica biodiversidade, trilhas, formações rochosas e importância histórica, já que durante séculos serviu como floresta real da França e inspirou gerações de artistas e pintores.
O incêndio já figura entre os três maiores registrados no norte do país nos últimos 20 anos e segue sendo monitorado pelas autoridades, que trabalham para evitar novos focos e minimizar os danos ambientais causados pelas chamas.
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